Endividamento das famílias segue em alta e acende alerta no BC

Com crédito caro e maior uso do cartão, Banco Central vê pressão crescente sobre a renda e risco de inadimplência

atualizado

metropoles.com

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Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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1 de 1 Imagem colorida da fachada do Banco Central (Bacen) - Metrópoles - Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Banco Central (BC) voltou a demonstrar preocupação com a situação financeira das famílias brasileiras. Em ata divulgada nesta quarta-feira (3/6), o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) afirmou que tanto o endividamento quanto o comprometimento da renda seguem em níveis historicamente elevados e continuam avançando.

Segundo o colegiado, o cenário atual combina juros em patamar restritivo com um volume já alto de dívidas, o que exige maior cautela por parte das instituições financeiras na concessão de crédito.

O BC chama a atenção, em especial, para a piora na composição das dívidas das famílias. A maior presença de linhas mais caras deve manter a pressão sobre o orçamento doméstico, elevando o peso das parcelas ao longo do tempo.

Na avaliação do Comef, esse conjunto de fatores reforça a necessidade de mais prudência no mercado de crédito.

“O endividamento e o comprometimento de renda das famílias estão historicamente elevados e seguiram aumentando. O contínuo aumento da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida deve continuar impactando o comprometimento de renda”, afirmou a ata.

Os dados mais recentes mostram que o endividamento das famílias com o sistema financeiro ficou em 49,8% em março, ligeiramente abaixo do recorde observado em fevereiro, de 49,9%. Ao excluir o crédito imobiliário, o indicador permaneceu estável, em 31,4%.

Já o comprometimento da renda com dívidas alcançou 29,3% no período. Sem considerar os financiamentos habitacionais, o percentual foi de 27%.

Como resposta ao aumento do endividamento, o governo lançou recentemente o novo Desenrola Brasil, programa de renegociação que permite substituir dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial, por contratos com juros limitados a 1,99% ao mês.

A iniciativa busca aliviar o orçamento das famílias em meio ao custo elevado do crédito, em um cenário que segue no radar das autoridades.

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