Em 1° pronunciamento, Bolsonaro não reconhece derrota e fala em cumprir a Constituição

O presidente Jair Bolsonaro (PL) permaneceu em silêncio por mais de 44 horas após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2° turno

atualizado 01/11/2022 20:55

Hugo Barreto/Metrópoles

Mais de 44 horas após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar o resultado das eleições 2022, o presidente Jair Bolsonaro (PL) rompeu o silêncio nesta terça-feira (1°/11), mas não admitiu a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas no último domingo (30/10). O petista obteve 50,90% dos votos válidos (60.345.999), enquanto Bolsonaro conquistou 49,10% (58.206.354).

Em pronunciamento feito no Palácio da Alvorada, na tarde desta terça-feira (1º/11), Bolsonaro fez um rápido discurso de dois minutos e três segundos, agradecendo os votos que recebeu, mas sem admitir a vitória do petista. O chefe do Executivo declarou, no entanto, que continuará “cumprindo todos os mandamentos da Constituição”.

“Enquanto presidente da República, este cidadão, continuarei cumprindo todos os mandamentos da nossa Constituição”, afirmou.

Durante a declaração, ele desaprovou atos de caminhoneiros que estão bloqueando rodovias em todo o país desde domingo. Disse que o “cerceamento do direito de ir e vir” é “método da esquerda”, mas que os movimentos são “fruto de indignação e sentimentos de injustiça”.

“As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedade, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir”, disse o presidente.

Leia íntegra do 1º pronunciamento do presidente Bolsonaro após derrota

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Transição de governo

Após o pronunciamento de Jair Bolsonaro, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, disse que foi autorizado a coordenar a transição do atual governo para a gestão do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação já havia sido antecipada pelo colunista Guilherme Amado, do Metrópoles.

O ministro afirmou que a transição de governo deve ser formalizada na próxima quinta-feira (3/11), pela presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann.

“O presidente Jair Messias Bolsonaro me autorizou, quando for provocado, com base na lei, nós iniciaremos o processo de transição. A presidente do PT, segundo ela, em nome do presidente Lula, disse que na quinta-feira será formalizado o nome do vice-presidente Geraldo Alckmin. Aguardaremos que isso seja formalizado para cumprir a lei do nosso país”, declarou Nogueira.

A transição de governo é prevista em lei e em decreto. Cabe à Casa Civil coordenar a entrega de documentos à equipe do presidente eleito. Os nomes de até 50 dirigentes devem ser publicados em Diário Oficial da União. Todos os nomeados trabalham até a posse, em 1º de janeiro de 2023, em preparação ao novo mandato.

Dia de reuniões

Bolsonaro recebeu vários aliados ao longo do dia na residência oficial, entre eles um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e os comandantes das três Forças Armadas. Em seguida, ministros de Estado foram convocados para estar ao lado do presidente não reeleito no pronunciamento

Estavam presentes os seguintes ministros:

  1. Anderson Torres (Justiça)
  2. Paulo Alvim (Ciência e Tecnologia)
  3. Victor Godoy (Educação)
  4. Joaquim Leite (Meio Ambiente)
  5. Daniel Ferreira (Desenvolvimento Regional)
  6. Ronaldo Bento (Cidadania)
  7. Cristiane Brito (Mulher, Família e Direitos Humanos)
  8. José Carlos Oliveira (Trabalho)
  9. Carlos França (Relações Exteriores)
  10. Ciro Nogueira (Casa Civil)
  11. Marcos Montes (Agricultura)
  12. Marcelo Queiroga (Saúde)
  13. Marcelo Sampaio (Infraestrutura)
  14. Paulo Guedes (Economia)
  15. Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral da Presidência)
  16. Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira (Defesa)

Coordenador da campanha do pai, Flávio reconheceu, na segunda-feira (31/10), a vitória de Lula, agradeceu os votos recebidos pelo pai e pediu aos apoiadores que “ergam a cabeça”. Foi a primeira manifestação de um integrante da família Bolsonaro após o resultado das urnas.

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Silêncio sobre 2º turno

Desde o momento da vitória do petista, às 19h57 da noite de domingo, Bolsonaro não havia se pronunciado. O atual chefe do Executivo federal apenas admitiu a derrota ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Alexandre de Moraes.

Ao proclamar o resultado das eleições para presidente da República, Moraes relatou ter ligado para os candidatos que concorreram ao pleito.

O presidente não possui compromissos oficiais para esta terça-feira.

Apoiadores de Bolsonaro

Apoiadores de Jair Bolsonaro foram do entusiasmo ao choro na Esplanada dos Ministérios na noite de domingo. Em ato para acompanhar a apuração, os manifestantes viram Luiz Inácio Lula da Silva voltar à Presidência, e muitos afirmaram que o pleito foi fraudado.

O movimento teve início mais cedo e começou a ganhar corpo por volta das 18h desse domingo, quando o petista passou Bolsonaro na parcial dos resultados. Nesse instante, o clima foi de desânimo.

Em seguida, apoiadores deram início a uma onda de orações. Às 19h40, com 98% das urnas apuradas, houve revolta. “Não pensem que vamos aceitar uma eleição fraudulenta às custas de fake news e interferência do Judiciário”, disse uma mulher no trio.

Quem rezava em cima do carro de som também pediu oração para que “Deus entre com intervenção no TSE”. Em meio ao público, blogueiros fizeram lives com ataques ao Tribunal Superior Eleitoral e à imprensa.

No carro de som, locutores pediram para que os militantes não fossem embora até o pronunciamento oficial de Bolsonaro. Ele, no entanto, se calou até a tarde desta segunda-feira.

Bloqueio de rodovias

Mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a decisão do ministro Alexandre de Moraes para que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) desobstrua rodovias bloqueadas, o país amanheceu com 271 ocorrências em estradas nesta terça-feira (1º/11).

Dados divulgados pela PRF nas redes sociais apontam que o país tem 183 pontos de interdição e 88 bloqueios em rodovias de 22 estados e do Distrito Federal. De acordo com a corporação, 192 manifestações já foram desfeitas. Os atos são realizados por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro contra a derrota do mandatário nas urnas.

Os estados com maior número de ocorrências são o Pará (33 interdições), Mato Grosso (22 interdições), Minas Gerais (12 interdições e seis bloqueios), Paraná (24 interdições e 15 bloqueios), Rondônia (20 interdições), Rio Grande do Sul (15 interdições e 15 bloqueios) e Santa Catarina (39 bloqueios).

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