Doria cogita até prisão para quem desrespeitar isolamento em SP

Governador paulista afirma que, para evitar explosão de casos e mortes, índice de pessoas seguindo o distanciamento social deve ir a 70%

João Doria, governador de SP

atualizado 09/04/2020 22:31

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), prometeu, nesta quinta-feira (09/04), tomar medidas mais rigorosas caso a adesão popular ao isolamento social não cresça espontaneamente até o começo da semana que vem. Entre essas medidas, estão a aplicação de multa e até a prisão de quem desrespeitar o distanciamento, visto como essencial para mitigar a propagação do novo coronavírus. “Espero que não tenhamos que chegar nesse patamar, mas se for necessário faremos, em defesa da vida.”

As declarações de Doria foram dadas à Rede Globo nesta noite. O objetivo, explicou o governador, é que o isolamento englobe cerca de 70% da população em todo o estado, patamar considerado ideal para desacelerar a doença. “Vamos fazer o teste neste final de semana. Se não elevarmos esse nível, que hoje é de 50%, para mais de 60% e caminharmos para 70% na próxima semana, não apenas o governo do estado, como também a prefeitura de São Paulo, tomarão medidas mais rígidas”, disse.

Ele disse contar com o apoio da população para que isso aconteça. A medida, reforçou, é importante para salvar vidas. “Essa não é uma indicação do governo, é uma indicação da medicina, da ciência, das pessoas que conhecem o problema e pedem que as pessoas fiquem em casa e não saiam”, declarou. “Se continuarem saindo, indo às ruas, se agrupando, fazendo o que não devem fazer, teremos mais pessoas infectadas e teremos mais mortes”, acrescentou.

Pelo terceiro dia consecutivo, o Brasil registrou novo recorde de mortes decorrentes do novo coronavírus em um único dia, nesta quinta-feira. De ontem para hoje, foram 141 óbitos. No total, são pelo menos 941 vítimas da doença no país. O número total de casos oficialmente confirmados subiu de 15.927 para 17.857 casos, um aumento de 12% em apenas 24 horas. São Paulo é o estado com maior número de casos (7.480) e de mortes (496).

Entre a última semana de março e os primeiros dias de abril, a diminuição no isolamento da população foi o padrão para todas as capitais brasileiras. Mesmo em casos onde a variação foi pequena, houve algum aumento na circulação de pessoas. Nenhuma capital viu suas ruas ficarem mais vazias durante a semana passada.

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