Desabrigados de prédio que caiu em SP passam frio na rua

Famílias acampadas no Largo do Paiçandu, no centro de São Paulo, enfrentam temperatura de 9º

atualizado

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Rovena Rosa/Agência Brasil
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1 de 1 prédio sp - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Dezenas de famílias acampadas em barracas no Largo do Paiçandu, centro de São Paulo, estão enfrentando nesta segunda-feira (21/5) a segunda noite de frio intenso. Parte delas é de ex-moradores do edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou no dia 1º de maio após um incêndio.

Na última madrugada, São Paulo registrou a menor temperatura do ano, com termômetros marcando, em média, 8°C. Às 21h desta segunda, a região central da cidade estava com 14ºC. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da prefeitura, a cidade deverá registrar 9ºC na próxima madrugada.

“Está sendo muito difícil para nós. Choveu e molhou todas as nossas roupas. Está tudo em cima das barracas. O meu colchão não presta mais, estou dormindo em cima de um lençol. Estamos aqui há 21 dias. Hoje, ganhei essa coberta aqui, já que a minha se foi, por causa da chuva, e não presta mais”, disse Leofábia Rodrigues da Silva, de 35 anos. Ela está acampada no local com seus dois filhos, uma menina de 10 anos e um menino de 16.

Leofábia ocupava o prédio que desabou e, segundo ela, o auxílio aluguel prometido pela prefeitura ainda não foi pago. “Se estivessem pagando auxílio, todo mundo já teria saído daqui”, afirmou. Ela ressalta que não pretende ir para os albergues da prefeitura porque não se considera moradora de rua: “Albergue ficou para morador de rua. Nós somos trabalhadores, nós queremos nossa moradia digna”. De acordo com a mulher, há 108 famílias acampadas na praça, com cerca de 60 crianças.

Adriana Santos Silva, de 38, também permanece em uma barraca no Largo do Paiçandu,  com seus seis filhos. Ela disse não sentir segurança em levar as crianças para um albergue em razão de não ter conhecimento sobre o comportamento dos moradores de rua que o frequentam.

O frio está demais, está dando para segurar, mas a chuva molhou as coisas. Eu tenho seis crianças, como que eu vou para o abrigo com elas? Albergue aceita qualquer coisa, e se tiver um pedófilo lá? As pessoas brigam lá dentro, nem os funcionários seguram. Já não basta esse transtorno?

Adriana Santos Silva, 38 anos, mãe de seis filhos e desabrigada

A Defensoria Pública de São Paulo(DPE-SP) e a Defensoria Pública da União (DPU) ingressaram na tarde desta segunda com uma ação civil pública pedindo atendimento emergencial às famílias que viviam no edifício Wilton Paes de Almeida. A ação, proposta na Justiça Federal do estado paulista, pede liminarmente, que União, estado e município forneçam um imóvel adequado para abrigar todas as famílias.

No pedido, são sugeridos três edifícios – vazios, próximos ao local do incidente e próprios para uso habitacional. É solicitado ainda o pagamento do auxílio aluguel por prazo indeterminado, que deverá ser reajustado anualmente, até a entrega de atendimento habitacional definitivo.

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