Zambelli rebate deputado italiano e garante que não fugiu da Justiça
Ex-deputada federal aguarda, em liberdade, um segundo julgamento no Supremo italiano sobre sua extradição ao Brasil

A ex-deputada federal Carla Zambelli publicou um vídeo neste domingo (26/7) para rebater o deputado italiano Angelo Bonelli e afirmar que a Justiça italiana tem todas as informações sobre sua localização.
“Desde que fui libertada, permaneço na Itália. Meu endereço é conhecido das autoridades italianas. Tenho uma residência fixa, e estou cumprindo rigorosamente todas as determinações da Justiça italiana. Não há absolutamente nada de clandestino na minha situação”, afirmou Zambelli.
Bonelli veio ao Brasil na última semana e afirmou, na quarta-feira (22/7), que ninguém sabe o paradeiro de Carla Zambelli e que ela estaria esperando as eleições de outubro para conseguir uma possível anistia, caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente.
“Isso simplesmente não é verdade”, disse Zambelli sobre a insinuação de ter fugido. “Não sou uma fugitiva, cheguei à Itália em busca de proteção, em um país do qual também sou cidadã. Estou exercitando um direito que a lei me garante”.
A ex-deputada ainda afirmou que está sendo perseguida “pela pessoa que hoje, na prática, manda no Brasil”, sem citar nomes, mas numa clara referência a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“É esta perseguição que me trouxe até aqui. Não devo nenhuma satistação ao Bonelli, mas sinto dever a vocês, que rezaram por mim. É por respeito a vocês que estou gravando este vídeo”, afirmou.
Situação de Zambelli na Itália
- Condenada a prisão no Brasil em dois processos distintos, Zambelli fugiu para a Itália e foi presa em julho de 2025. O deputado italiano Angelo Bonelli afirmou que ele foi quem informou o paradeiro dela às autoridades italianas.
- Em maio deste ano, a Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça italiana, julgou o processo de extradição referente à condenação de Zambelli pela invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), anulou as decisões de instâncias inferiores e determinou a libertação de Zambelli.
- A parlamentar brasileira espera, em liberdade na Itália, um segundo julgamento sobre seu processo de extradição ao Brasil, referente à condenação por porte ilegal de arma de fogo.
- A Suprema Corte italiana determinou o reinício do processo, e o caso voltou à Corte de Apelação de Roma.
Próximos passos
O novo julgamento sobre a extradição de Zambelli na Corte de Apelação de Roma ainda não tem data marcada. No primeiro processo, sobre a invasão hacker ao sistema do CNJ, a Suprema Corte da Itália entendeu que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, não teria imparcialidade para julgar o caso, pois havia sido vítima do crime.
No processo da condenação por porte ilegal de arma, a Justiça italiana não viu “perseguição política”, e determinou o reinício do processo apenas pela falta de garantias específicas sobre a possibilidade atendimento médico à parlamentar na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. A prisão é onde Zambelli ficará detida caso seja extraditada.
Segundo a Justiça italiana, o quadro clínico de Zambelli é “complexo e multifacetado”, necessitando atenção e acompanhamento médico especializado constante.













