Delegado sobre mandante do assassinato de Marielle: “Nem ideia”

Giniton Lages, titular da Delegacia de Homicídios da Capital, afirmou que principais respostas virão na segunda fase do inquérito

ALESSANDRO BUZAS/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

atualizado 12/03/2019 19:02

A coletiva na sede do governo do estado do Rio de Janeiro, no anexo do Palácio Guanabara, que durou uma hora e meia na tarde desta terça-feira (12/3), deixou as principais perguntas sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol) e do motorista Anderson Gomes sem respostas. Apontado como suspeito de atirar na vereadora, o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48 anos, é um dos detidos. O ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, 46, estaria, segundo as diligências, dirigindo o carro usado no dia do crime. São informações de O Globo.

Porém, quem foi o mandante e por qual motivo a parlamentar era o alvo são questionamentos que ficaram para uma segunda fase, de acordo com o delegado titular da Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, Giniton Lages. Ele admitiu que hoje a investigação “não tem ideia” da motivação do crime.

“Essas questões serão respondidas na segunda fase. O que nós sabemos é que Ronnie estava no carro, Ronnie atirou. E Élcio dirigia. Sabemos seu perfil e como ele resolvia as coisas. Hoje, não sabemos se havia mandantes, se ele agiu sozinho. Isso tudo está na segunda fase da investigação”, explicou o delegado.

Lages ressaltou ainda que Lessa também fez pesquisas na internet sobre o deputado federal Marcelo Freixo (PSol-RJ), a esposa de Freixo, diversas “autoridades públicas” e delegados da polícia.

Responsável pelo inquérito desde o início do caso, Giniton falou da dificuldade em obter provas contra o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos contra as vítimas, e Élcio Vieira Queiroz.

Evidências
Segundo o delegado, as únicas evidências contra Lessa são o fato de ele ter obtido informações no portal da Polícia Civil (Infoseg) para saber onde Marielle morava e o Cobalt usado no crime ter passado em frente ao Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, próximo de onde o acusado mora.

Ao abrir o detalhamento da investigação, Giniton frisou a complexidade do atentado e disse que logo ficou evidente a sofisticação dos criminosos, com a elucidação prejudicada pela ausência de testemunhos presenciais. A alternativa, disse, foi investir nos movimentos pré-crime e pós-crime.

“O crime Marielle e Anderson não pode se repetir. Queremos elucidar para dar um recado. Eles não saíram do carro por duas horas. Isso nos chamou a atenção de cara. Alcançamos três testemunhas presenciais, mas não houve possibilidade de reconhecimento”, explicou o delegado.

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