Apontado como o atirador que matou a vereadora Marielle Franco (PSol) e o motorista Anderson Gomes, o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48 anos, era conhecido pela frieza e por ser um habilidoso atirador entre os colegas. Ele atuava no 9º BPM no Rio de Janeiro até virar adido da Polícia Civil e trabalhar na extinta Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE).

Os policiais do batalhão onde Lessa trabalhava eram conhecidos dentro da corporação como “cavalos corredores” pela atuação intensa no estado. Nessa unidade também trabalhavam os PMs condenados pela chacina de Vigário Geral, em 1993, em que 21 pessoas foram executadas.

O 9º BPM também esteve sob o comando do tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, condenado a 36 anos de prisão acusado de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli. Contra Ronnie Lessa, no entanto, nunca houve uma investigação. Ronnie foi homenageado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) mais de 20 anos atrás pela atuação como policial militar.

Durante a carreira na polícia, Lessa sofreu dois atentados. O primeiro deles ocorreu em 2009, na zona norte do Rio. Na ocasião, uma granada explodiu próximo ao PM, que teve uma das pernas amputadas. Desde então, ele usa uma prótese. Numa outra tentativa, em abril de 2018, menos de um mês após o assassinato de Marielle, ele trocou tiros com um motociclista que teria se aproximado para matá-lo.

Infrações
Durante o cumprimento de buscas e apreensão na casa de Ronnie Lessa, na manhã desta terça-feira (12/3), a Polícia Civil encontrou um veículo blindado da Nissan no valor de, aproximadamente, R$ 120 mil. O carro tem 124 multas registradas desde 2013, a maioria delas por excesso de velocidade. O PM mora no mesmo condomínio do presidente Jair Bolsonaro (PSL), na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca.

Foto cedida ao Metrópoles

O chefe do Executivo aparece em uma imagem com o outro suspeito pela morte da vereadora, o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, de 46 anos. Ele foi apontado nas investigações como o motorista do Cobalt prata usado na emboscada ao carro de Marielle.

Usuários atribuem a imagem ao perfil do ex-PM no Facebook. Na foto, ele aparece ao lado de Bolsonaro, que teve o rosto cortado.

Reprodução/Facebook

Elcio foi expulso da Polícia Militar do Rio de Janeiro depois de se tornar réu na Operação Guilhotina. Na época, as investigações apontavam para um grupo de policiais civis e militares acusados de corrupção e de ligação com traficantes da cidade. (Com agências)