Também quero saber quem mandou me matar, diz Bolsonaro sobre Marielle

Um ex-PM e um policial militar reformado foram presos na manhã desta terça-feira (12/3) acusados de serem o motorista e o atirador no crime

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 12/03/2019 15:53

No mesmo dia em que suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram presos, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse se importar com o caso, mas destacou estar interessado em saber quem são os mandantes do atentado à faca que sofreu durante a campanha eleitoral, em outubro de 2018. “Eu conheci a Marielle depois que ela foi assassinada. Mas também estou interessado em saber quem mandou me matar”, disse, ao cortar o assunto.

As declarações foram dadas pelo presidente logo após a primeira reunião oficial entre ele e o presidente do Paraguai, Mario Abdo. Os dois se encontraram na manhã desta terça-feira (12/3) para discutir, entre outros temas, a crise humanitária na Venezuela e a ampliação da relação comercial dos países. Além disso, Abdo cobrou a extradição de três paraguaios que receberam asilo no Brasil acusados de terem cometido sequestros no seu país de origem.

O presidente afirmou que, apesar de Marielle ter trabalhado com o filho Carlos Bolsonaro (PSC) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ele “nunca tinha ouvido falar” na vereadora. “Espero que realmente a apuração tenha chegado de fato a quem foram os executores, se é que foram eles, e a quem mandou matar”, afirmou o chefe do Executivo.

Bolsonaro desviou do assunto ao ser questionado sobre o fato de ter posado para foto com um dos suspeitos presos. “Eu tenho foto com milhares de policiais civis e militares, com milhares, do Brasil todo”, afirmou. Ao ser perguntado se estava surpreso com a descoberta, ele disse que não, pois é “coisa rara” as investigações de um crime não serem concluídas. “Eu acredito que não existe crime impossível [de ser solucionado]”, concluiu.

Para o ministro da Justiça, Sergio Moro, esse é um caso que “deve ser levado a sério”. “É um crime que tem que ser investigado por completo, e os responsáveis, levados à Justiça”, completou. O chefe da pasta afirmou que é devido à união da Justiça estadual, da Polícia Civil e da Polícia Federal que crimes semelhantes sejam resolvidos. “Certamente, essa investigação da PF contribuiu bastante e está contribuindo para que se chegue a um melhor resultado investigatório do grave assassinato da senhora Marielle e do Anderson”, disse o ministro, ao encerrar a conversa.

Conheça os suspeitos
Apontado como o atirador que matou Marielle e o motorista Anderson, o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48 anos, era conhecido pela frieza e por ser um habilidoso atirador entre os colegas. Ele atuava no 9º BPM no Rio de Janeiro até virar adido da Polícia Civil e trabalhar na extinta Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE).

O 9º BPM também esteve sob o comando do tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, condenado a 36 anos de prisão acusado de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli. Contra Ronnie Lessa, no entanto, nunca houve uma investigação. Ronnie chegou a ser homenageado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) mais de 20 anos atrás pela atuação como policial militar.

 

 

Durante a carreira na polícia, Lessa sofreu dois atentados. O primeiro deles ocorreu em 2009, na zona norte do Rio. Na ocasião, uma granada explodiu próximo ao PM, que teve uma das pernas amputadas. Desde então, ele usa uma prótese. Numa outra tentativa, em abril de 2018, menos de um mês após o assassinato de Marielle, ele trocou tiros com um motociclista que teria se aproximado para matá-lo.

O motorista do Cobalt prata usado na emboscada ao carro de Marielle, identificado como Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, também era policial militar. Ele aparece em uma imagem ao lado de Bolsonaro.

Élcio foi expulso da Polícia Militar do Rio de Janeiro depois de se tornar réu na Operação Guilhotina. Na época, as investigações apontavam para um grupo de policiais civis e militares acusados de corrupção e de ligação com traficantes da cidade.