Dados de Vorcaro “não têm qualquer relação” com a CPMI, diz Pimenta
Líder do governo na comissão afirmou que dados em sala-cofre mostram relações pessoais do dono do Master e não citam consignados
atualizado
Compartilhar notícia

O líder do governo na CPMI do INSS, Paulo Pimenta (PT-RS), disse, nesta segunda-feira (16/3), que os dados telemáticos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, armazenados na sala-cofre do Senado, “não têm qualquer relação com objeto da investigação da CPI”. O colegiado apura sobre descontos indevidos e fraudes em créditos consignados na Previdência Social.
A fala do governista se deu após ele visitar a sala-cofre onde foram disponibilizados os mais de 400 GB provenientes da nuvem do banqueiro enviados pela Apple. Pimenta disse que o material é de teor pessoal, com fotos e conversas privadas, que não abordam operações que estão no escopo do colegiado.
Os dados da quebra de sigilo do banqueiro foram enviados pela big tech na última quinta-feira (12/03) e o acesso foi liberado no dia seguinte para permitir que parlamentares e assessores tenham acesso imediato ao material, considerando a falta de perspectiva para a prorrogação do colegiado, que pode ter de encerrar os trabalhos no próximo dia 28/3.
A cúpula do colegiado e integrantes da oposição pedem mais tempo para concluir os trabalhos considerando o tamanho dos arquivos que estão sendo analisados e os depoimentos que ainda estão pendentes.
” Em tudo que eu vi até agora, não vi absolutamente nada que tenha qualquer relação com objeto da investigação da CPI. Não vi nenhum documento que trate de crédito consignado ou com o INSS. Existe um volume muito grande de informações boa parte dessas informações não tem nenhuma relevância do ponto de vista investigativo que ela mostra são relações pessoais e outros negócios”, disse Pimenta.
Inicialmente o Banco Master entrou na mira da CPMI do INSS sob suspeita de créditos descontados diretamente das aposentadorias sem anuência de pensionistas. Como mostrado pelo Metrópoles, o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) suspendeu os contratos de empréstimos consignados com o Banco Master que somam cerca de R$ 2 bilhões.
Depois da repercussão do caso, as atividades de Daniel Vorcaro ganharam mais espaço na CPMI, visto como uma investigação “alternativa” ante a falta de uma comissão de inquérito só para o Master, barradas no Congresso.
Acesso limitado e dados desorganizados
O acesso aos arquivos conta com regras rígidas. Após a Polícia Federal abrir um inquérito para investigar o vazamento de dados sigilosos relacionados ao banqueiro, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), determinou que a nova remessa permaneça restrita à sala-cofre da CPMI, um ambiente de acesso controlado e sem conexão à internet.
Para acelerar o acesso, a nova leva de dados de Daniel Vorcaro foi organizada em pastas, mas sem indexação – isto é, sem identificação clara ou ferramentas de pesquisas sobre o conteúdo. Como mostrou o Metrópoles, a falta de organização causou frustração entre parlamentares e assessores já no primeiro dia de consulta, que tiveram dificuldade para encontrar informações de forma mais eficaz.
Além da dificuldade para localizar conteúdos específicos, parlamentares e assessores relataram problemas de acesso aos arquivos. Alguns documentos exigiam senha para serem abertos, enquanto outros, como e-mails, exigiam conexão com a internet. Diante das reclamações, a equipe técnica do Senado atuou novamente e liberou o acesso à rede no sábado (14/3).
Pimenta: “o cara é um escroto”
O líder do governo ressaltou que, nessa primeira análise dos materiais, só encontrou mateirias de cunho pessoal, O Metrópoles apurou que parlamentares tiveram acesso a imagens de festas em que aparecem Vorcaro, aliados e mulheres.
“Além de ser ostentador, esse cara é um babaca escroto para cacete”, disse.
Escândalo revelado
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4/2025 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
