CPMI ouve Paulo Camisotti após briga e quebra de sigilo de Lulinha
Paulo Camisotti fica em silêncio na CPMI do INSS, amparado por um habeas corpus. Confusão marcou o colegiado pela manhã
atualizado
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Paulo Otávio Montalvão Camisotti, filho do empresário Maurício Camisotti, dono de empresas de seguros e planos de saúde, participou, na tarde desta quinta-feira (26/2), da CPMI que investiga as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — a farra foi revelada pelo Metrópoles. Amparado por um habeas corpus, ele se nega a responder perguntas dos parlamentares.
Acompanhe:
O colegiado começou às 10h30 desta quinta-feira (26/2), quando a comissão votou requerimentos e pedidos de quebra de sigilo, incluindo Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Logo no início dos trabalhos, os parlamentares fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas das enchentes em Minas Gerais.

Depois de aprovados os requerimentos, principalmente o de Lulinha, parlamentares da ala do governo no Congresso foram para cima da mesa da presidência do colegiado. Houve uma confusão generalizada, com gritos, xingamentos e até agressão física. A sessão do colegiado chegou a ser suspensa por 15 minutos.
Depoimento de Paulo Camisotti
Paulo Camisotti, investigado por suposto envolvimento no esquema de descontos não autorizados, está depondo amparado por um habeas corpus, ou seja, ele não é obrigado a responder as perguntas dos parlamentares nem fazer o juramento de dizer a verdade.
Ele ainda abriu mão do tempo de cinco minutos dado ao presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Ele não é identificado como parte de movimentações financeiras, mas aparece citado na Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF) como sócio da Rede Mais Saúde, uma das empresas de Camisotti que recebeu recursos da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) e do Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap), investigadas por fraudes no INSS.
A empresa movimentou R$ 18 milhões entre agosto de 2023 e maio de 2024. O pai dele está preso desde 12 de setembro do ano passado.
O requerimento para a convocação foi elaborado por um grupo de parlamentares do Novo: o senador Eduardo Girão (CE) e os deputados Marcel Van Hattem (RS), Adriana Ventura (SP) e Luiz Lima (RJ).
Farra do INSS
- O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
- As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23 de abril deste ano e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Havia, ainda, a previsão do depoimento do deputado estadual Edson Cunha de Araújo, investigado pela PF na Operação Sem Desconto. Mas ele apresentou um habeas corpus, e novamente não comparecerá ao colegiado.
Araújo ocupa a vice-presidência da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), uma das entidades citadas na Operação Sem Desconto. A investigação, deflagrada em abril do ano passado, apura a existência de descontos indevidos aplicados a benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no período entre 2019 e 2024.

