Como articulador, Onyx preteriu Centrão por PSL e DEM

O ministro recebeu críticas e foi tirado do cargo. Ao longo de seis meses, viu acesso a Bolsonaro e influência caírem

Foto: Rafaela Felicciano/MetrópolesFoto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 06/07/2019 9:43

Moisés Amaral/Metrópoles

Uma das críticas mais frequentes ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) durante os seis primeiros meses de gestão foi a pouca – e falha – interação com o Parlamento. Quando nomeado ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) recebeu a incumbência de articular com parlamentares para garantir a aprovação de projetos do governo. Porém, após experiência marcada por fracassos no Congresso Nacional, o mandatário do país mudou o comando e tirou Onyx da jogada, passando a responsabilidade para o titular da Secretaria de Governo (Segov), general Ramos. 

Enquanto líder da articulação entre Executivo e Legislativo, Onyx abriu as portas da Casa Civil 207 vezes para deputados e 33 para senadores. Governadores, prefeitos e vereadores foram recebidos 48 vezes. O democrata deu preferência a legendas aliadas ao presidente e pouco conversou com a oposição ou mesmo com o Centrão – bloco que oscilava entre alinhamento com o governo e críticas pontuais a iniciativas e que muitas vezes decide o destino de iniciativas do Planalto. O Metrópoles utilizou a agenda oficial do ministro para apuração dos dados. 

 

No mesmo período em que se reuniu 42 vezes com deputados e senadores do PSL, sigla de Bolsonaro, teoricamente necessitando de menos afagos para defender o governo, o ministro se encontrou apenas nove vezes com a oposição, somando três reuniões com parlamentares do PT, duas com políticos do PDT e quatro com integrantes do PSB. O partido mais recebido pelo ex-articulador foi o DEM, ao qual Onyx é filiado. Foram 39 encontros com deputados e senadores da legenda ao longo do tempo em que esteve no posto.

Moisés Amaral/MetrópolesMoisés Amaral/MetrópolesMoisés Amaral/Metrópoles

A deputada que mais dialogou com Onyx foi Joice Hasselmann, do PSL, líder do governo no Congresso: foram 13 reuniões a portas fechadas com o então articulador. Em seguida, Major Vitor Hugo (PSL-GO), líder do governo na Câmara, recebido 10 vezes pelo democrata – o mesmo número de encontros ocorreu com o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB), do MDB.

No primeiro semestre do ano, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), esteve com o ministro seis vezes. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), com quem Onyx tem proximidade, ocupou por 11 vezes a agenda do chefe da Casa Civil. 

Em 3º lugar no ranking de reuniões com Onyx está o MDB, que tem jogado junto ao governo, com parlamentares visitando o chefe da Casa Civil por 34 vezes. Da mesma forma aconteceu com o PSD, com o mesmo número de encontros com o ministro. 

Entre os partidos do Centrão, contudo, o que mais ocupou a cadeira de visitantes da Casa Civil foi o PR: foram 19 agendamentos com o ministro – média de quase exatos três reuniões por mês no primeiro semestre. Em seguida, o PP foi atendido 14 vezes por Onyx. O PSDB teve 13 oportunidades. Existem 35 legendas políticas atualmente no Brasil – dessas, 25 foram atendidas pelo democrata. 

Moisés Amaral/MetrópolesMoisés Amaral/MetrópolesMoisés Amaral/Metrópoles

Além dos parlamentares, Onyx convidou algumas bancadas do Congresso para se encontrarem no Palácio do Planalto. No primeiro semestre, ele se reuniu com políticos do Ceará, de Goiás, do Nordeste, do Rio Grande do Sul e dos partidos Pros e Novo, uma vez cada. 

A queda 

É possível perceber, pelos números, a queda da influência de Onyx. Enquanto o ministro esteve 19 vezes com Bolsonaro em abril, no mês de junho ele visitou o presidente apenas em três oportunidades. Em maio, o encontro com o chefe ocorreu seis vezes. Em fevereiro, o ex-articulador cumpriu agenda 43 vezes com deputados de diferentes partidos. Em junho, foram apenas 23 reuniões marcadas. 

A força de Onyx com colegas do Executivo também caiu bruscamente ao longo do primeiro semestre. Em janeiro, ele se encontrou 55 vezes com ministros do governo. No mês seguinte, foram 56. Em março e abril, todavia, o número caiu pela metade – 28. Em maio, é possível perceber uma tentativa de aproximação, em reuniões com os colegas de governo, com um salto para 41 vezes. Em junho, contudo, mês em que foi afastado da articulação, o número despencou para 11.

Moisés Amaral/Metrópoles

Últimas notícias