
Centrão trava alianças de Flávio, que aposta em base bolsonarista
Campanha faz última ofensiva por acordos e aposta na reaproximação com a imagem de Jair Bolsonaro para mobilizar a militância

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega às últimas horas do prazo para definir alianças para a disputa pelo Palácio do Planalto sem conseguir destravar as negociações com os principais partidos do Centrão. A um dia do fim das convenções partidárias, o senador ainda tenta ampliar a coligação e definir um candidato a vice, mas já admite a possibilidade de disputar a eleição apenas com o apoio do PL.
As negociações com Republicanos, Podemos e a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, concentram os esforços da campanha nesta terça-feira (4/8). Sem garantia de apoio dessas legendas, segundo interlocutores, Flávio deve reduzir a agenda pública para se dedicar às conversas com dirigentes partidários.
Para tentar convencer os partidos, a campanha também pretende usar como argumento a pesquisa BTG/Nexus divulgada nessa segunda-feira (3/8). O levantamento mostrou uma aproximação entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. Aliados afirmam que o resultado reforça a competitividade da candidatura.

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Ver todasAlém de apresentar o desempenho nas pesquisas, interlocutores da campanha passaram a defender junto aos partidos de centro que a definição das alianças não pode ficar para um eventual segundo turno. A avaliação do PL é que o apoio durante a campanha terá peso na definição dos espaços em um eventual governo, caso Flávio seja eleito.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA dificuldade para formar uma coligação tem impacto direto na estrutura da campanha. Além de fortalecer os palanques estaduais, o apoio de novos partidos amplia o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
Levantamento do Metrópoles mostra que, se disputar apenas com o PL, Flávio terá menos tempo de propaganda do que Lula. O presidente ficaria com 5 minutos e 34 segundos por bloco, enquanto o senador teria 4 minutos e 18 segundos. Esse cenário mudaria caso o PL conseguisse atrair partidos como Republicanos e Podemos.
Resistência do Centrão
A busca por alianças esbarra na resistência de partidos do Centrão em declarar apoio formal à candidatura de Flávio. Nos últimos meses, essas legendas vêm sinalizando que devem adotar neutralidade na disputa presidencial e deixar os diretórios estaduais livres para firmar acordos locais.
A federação União Progressista era uma das principais apostas do PL. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) chegou a ser convidada para ser candidata a vice-presidente, mas a possibilidade perdeu força depois que o PP anunciou que não apoiará oficialmente nenhum candidato ao Palácio do Planalto.
Outra frente de negociação envolve o Republicanos, partido da ex-presidente da Caixa Daniella Marques, nome preferido de Flávio para a vice. A legenda marcou a convenção para a manhã desta terça-feira e deve anunciar neutralidade na eleição presidencial. Se isso ocorrer, Daniella ficará fora da chapa.
Nessa segunda-feira (3/8), Flávio se reuniu em Brasília com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira. Segundo apurou o Metrópoles, o encontro terminou sem definição sobre uma aliança. Pereira informou que ainda consultaria os diretórios estaduais antes de comunicar a posição do partido.
O Podemos também avalia seguir o mesmo caminho e deve definir sua posição até o encerramento das convenções.
Corrida por alianças
- A campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta desafio para atrair partidos do Centrão em uma aliança.
- Por trás da estratégia, está o desejo de ampliar a capilaridade da candidatura de Flávio.
- As legendas, porém, têm sinalizado que devem permanecer distantes da disputa presidencial neste ano.
- União Brasil e PP eram os partidos mais próximos de uma aliança, mas desdobramentos das investigações do Banco Master fizeram com que a coligação fosse considerada descartada.
- Flávio ainda busca alianças com Podemos e Republicanos. Os dois partidos também sinalizam que podem ficar neutros na disputa presidencial.
- Isolado, o senador ainda não conseguiu concluir a formação de sua chapa e pode acabar disputando o Planalto em chapa inteiramente formada pelo PL.
Diante das dificuldades, o PL passou a considerar uma chapa formada apenas por integrantes do partido. Nesse cenário, o senador Rogério Marinho (PL-RN) e as deputadas federais Júlia Zanatta (PL-SC) e Priscila Costa (PL-CE) aparecem entre os nomes cotados para a vice.
Apesar disso, a prioridade da direção do PL continua sendo fechar uma aliança. O partido ainda pode recorrer à regra eleitoral que permite às legendas delegarem à executiva nacional as decisões sobre coligações e indicações de candidatos, o que possibilita concluir a composição da chapa posteriormente, desde que sejam respeitados os prazos para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.
Mobilização da base bolsonarista
Enquanto tenta romper o isolamento político, Flávio passou a reforçar a identificação com o eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Nas últimas semanas, o senador intensificou a presença nas redes sociais, retomou críticas a adversários e voltou a defender pautas associadas ao bolsonarismo.
Também passou a reproduzir estratégias usadas pelo pai, como as transmissões ao vivo nas noites de quinta-feira, formato que Jair Bolsonaro manteve durante o período em que ocupou a Presidência.
Flávio também voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmar que sofre perseguição e recuperar temas que marcaram o discurso do ex-presidente. Recentemente, por exemplo, voltou a levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas.
As mudanças ocorrem em meio à avaliação de membros da campanha de que a estratégia adotada durante parte da pré-campanha, de apresentar um perfil mais moderado, não produziu o resultado esperado. Segundo aliados, a postura enfraqueceu a identificação com parte da militância bolsonarista e também não ajudou a destravar as negociações com partidos do Centrão.
Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho reforçou a preocupação da campanha. O levantamento mostrou que o percentual de eleitores que diziam ter voto definitivo em Flávio caiu de 70%, em junho, para 62%.
Na tentativa de reorganizar a comunicação, o PL trocou o comando da área. O publicitário Duda Lima, que coordenou a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, assumiu o lugar de Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer. Durante o período em que esteve à frente da estratégia de Flávio, a dupla apostou em vender um perfil mais moderado do senador.
A avaliação dentro do partido é que Duda tem maior trânsito entre o núcleo político e bolsonarista da campanha e pode aproximar novamente Flávio da identidade construída pelo pai.
A estratégia de reforçar a associação entre Flávio e o ex-presidente também apareceu nos atos mais recentes da campanha. Na convenção do PL em Santa Catarina, no sábado (1º/8), a legenda exibiu uma gravação com imagens e falas de Jair Bolsonaro antes da entrada do candidato ao palco.
A iniciativa ocorreu poucos dias após o uso de um vídeo com inteligência artificial na convenção nacional do partido provocar questionamentos do ministro do STF Alexandre de Moraes.













