Gilmar diz que Fux combinou com Mendonça voto para afastar diretor da PF
Gilmar encaminhou ofício ao presidente da Segunda Turma alegando que ministros teriam se articulado para confirmar decisão de Mendonça

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes encaminhou um ofício ao presidente da Segunda Turma da Corte, Luiz Fux, em que ele questiona a decisão do colegiado de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
No documento, o decano diz que os integrantes do colegiado teriam combinado os votos com o relator antes do julgamento no plenário virtual.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasEm 8 de setembro, Fux e o ministro Kassio Nunes Marques postaram seus votos pelo afastamento do diretor da PF nove minutos após a abertura do plenário virtual. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino derrubou a decisão e reintegrou Andrei Rodrigues ao cargo.
Gilmar enviou o ofício na sexta-feira (11/9) e também citou a questão no julgamento sobre o relatório da corporação que cita conversas entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, que teve início nessa terça-feira (15/9).
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSegundo ele, os magistrados teriam agido de forma enviesada ao confirmar o entendimento de Mendonça.
“O Regimento do Supremo Tribunal Federal, ao disciplinar o funcionamento das Turmas, partem de uma premissa básica segundo a qual a Turma não é composta por seu presidente e mais um ou dois ministros. É colegiado de cinco membros, à frente do qual está um presidente eleito entre os pares para coordenar os trabalhos mediante diálogo com todos os integrantes, sem inclinação por qualquer deles”, escreveu o decano.
O ministro destacou que sequência de horários registrada no sistema oficial do Supremo “demonstra que a designação dessa sessão virtual extraordinária ocorreu mediante entendimento direto entre Vossa Excelência e o Relator, sem prévia comunicação a parte dos integrantes do colegiado“, afirmou no ofício.
Ele alegou que havia um “prévio ajuste — não comunicado a parcela dos demais colegas integrantes do colegiado” entre Luiz Fux, e o ministro André Mendonça.
O decano pediu vista (mais tempo de análise) às 10h, logo na abertura da sessão. Ele destacou que “às 10h04 e às 10h06, já depois do pedido de vista, Fux e Nunes Marques, respectivamente, adiantaram o voto acompanhando o relator”.
“Não escrevo este ofício por apego a formalidades, nem por inconformismo com o colegiado. Escrevo-o porque entendo indispensável preservar a instituição a que pertencemos, sendo certo que essa preservação perpassa, necessariamente, pelo respeito aos ritos e às tradições que antecedem as suas decisões”, acrescentou.
Crise no STF
A Suprema Corte vive uma crise inédita marcada pela troca de acusações entre ministros envolvendo a investigação da fraude do Banco Master e a suposta relação dos integrantes do STF com Daniel Vorcaro.
Inicialmente, os ministros se reuniram nessa terça-feira (15/9) para decidir se Alexandre de Moraes seria investigado por uma suposta troca de mensagens com o banqueiro. O magistrado teria conversado com Vorcaro em 17 de novembro do ano passado, dia da prisão dele em São Paulo.
Entenda
- A sessão deveria tratar de mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília em uma investigação sobre supostas fraudes bilionárias.
- O caso ganhou repercussão após questionamentos sobre a relação entre o ministro e o empresário.
- Os ministros tinham que avaliar os próximos passos da apuração e a eventual abertura de investigação sobre as circunstâncias envolvendo as mensagens.
- A sessão ocorreu em meio a uma série de questionamentos sobre a atuação de Moraes no episódio e sobre os contatos mantidos com Vorcaro.
- Ministros discutiram na sessão plenária e adiaram a decisão sobre a situação de Moraes.
- Integrantes do Supremo também devem discutir sobre conduta de Mendonça na relatoria do Master.
O debate descambou para o caos institucional, com uma série de acusações, ofensas, dedos em riste, gritos e enorme tensão, em sessão que marcou o racha da Corte. Aberta a votação do pedido de Gilmar, o placar ficou em 4 a 3. Depois, entrou o pedido de vista de Flávio Dino, que tem até 90 dias para devolver o caso ao plenário.
Votaram a favor de manter os casos separados o presidente da Corte, Edson Fachin, e os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Já Moraes, Gilmar e Cristiano Zanin defenderam a análise conjunta. Dino havia votado com este segundo grupo, mas, depois de um debate acalorado entre Mendonça e Gilmar, ele pediu vista e adiou a definição do caso.
A indefinição sobre o futuro da investigação sobre Moraes também coloca em dúvida se a sessão da próxima terça-feira (23/9), com caso semelhante, será realizada. Está na pauta o julgamento para decidir se a conduta de Mendonça será investigada.















