Milton Leite é alvo de operação que apura elo do PCC com empresas de ônibus
Entre os alvos da polícia estão advogados, um ex-servidor público e o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL)

O ex-vereador e presidente do União Brasil em São Paulo, Milton Leite, é alvo de um mandado de prisão no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17/9) pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A Justiça decretou a prisão do político e de outras 15 pessoas, entre elas advogados, o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL)) e um ex-servidor da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SPTrans), da Prefeitura de São Paulo.
Leite não foi localizado e é considerado foragido, mas, em entrevista ao Metrópoles, ele negou ter fugido e disse estar em viagem de campanha eleitoral com um dos filhos. Ele promete se entregar em até 24 horas.
De acordo com o apurado pelo MPSP, há elementos colhidos no curso da investigação que apontam que os investigados têm relação com um esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público de SP.
Veja quem são os alvos de operação contra o PCC no transporte público
- Carla de Paula Muller
- Cicero Jose dos Santos Filho
- Danilo Marco Morgado Silva
- Edivania Arruda Botelho Alves
- Edson Antonio de Souza
- Eduardo Medeiros
- José Ronaldo Alves de Sales
- Julio Salvador Filho
- Levi dos Santos Oliveira
- Milton Leite da Silva
- Milton Mello Milreu
- Paulo Sirqueira Korek Farias
- Sergio Luiz Gevaerd de Oliveira
A investigação é um desdobramento da Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024, quando se identificou uma complexa rede de informações da qual o PCC se utiliza para manter a comunicação entre seus integrantes, quer eles estejam presos ou nas ruas, utilizando-se inclusive de advogados.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPNa ocasião, em 2024, foram identificadas lideranças da organização criminosa vinculadas às denominadas “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”, e um projeto de infiltração de agentes do crime organizado nas eleições municipais daquele ano, lançando candidatos aos cargos em disputa. Houve, ainda, a identificação do possível envolvimento de ao menos uma servidora municipal comissionada com um membro do alto escalão do PCC

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Ver todasNessa nova fase, deflagrada nesta quinta, novamente foi detectada a atuação de advogados em conluio com o crime organizado, extrapolando os limites éticos da advocacia.
Da mesma forma, foi identificada a contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior, com a participação ativa de parte dos investigados até aqui identificados.
A análise do conteúdo do material obtido pelos investigadores permitiu a identificação de possível *infiltração da organização criminosa no sistema de transporte público da capital, já que foram identificadas pelo menos doze empresas de transporte coletivo de passageiros em operação na Cidade de São Paulo, que seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC”. Algumas dessas empresas já foram objeto de investigações anteriores por parte da Polícia Civil do Estado de São Paulo e do Ministério Público, inclusive com denúncias já ofertadas.
Ainda, foi identificado o intenso envolvimento do PCC no financiamento de campanhas políticas nas eleições para prefeitos e vereadores de 2024..
Os cumprimentos de mandados de prisão e de busca e apreensão estão sendo executados na manhã desta quinta-feira na capital, em Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
O que dizem os envolvidos
Segundo Milton Leite, as alegações apresentadas pela polícia sobre encontros com Oliveira, ex-SP Trans, tinham relação com o período em que ele, então presidente da Câmara de Vereadores, assumiu interinamente a cadeira de prefeito da capital. Ele nega qualquer envolvimento com o PCC.
“Eu me reunia porque era vice-prefeito e eu tive essa designação pelo Bruno Covas, em resolver a questão dos transportes”, declarou.
O ex-vereador reforçou que irá se apresentar nas próximas 24 horas: “Eu vou me apresentar, eu pedi 24 horas para poder me apresentar. Não estou me escondendo não”, afirmou.
A defesa de Levi dos Santos Oliveira afirmou que foi surpreendida com a notícia da prisão e que aguarda acesso aos autos para adotar as medidas cabíveis.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirma que a intervenção determinada na empresa Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida para proteger o sistema municipal de transporte.
Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou a intervenção na UPBus, “mesmo sem qualquer solicitação da Justiça”. A administração municipal diz que sempre agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.
Também em nota, a Câmara Municipal de São Paulo disse acompanhar os desdobramentos das investigações promovidas pelo MPSP, em conjunto com a Polícia Civil e o Poder Executivo, e aguarda as conclusões.
O Metrópoles aguarda um posicionamento do União Brasil. Além disso, busca a defesa dos demais alvos da operação. O espaço está aberto para manifestação.














