“Núcleo político” do PCC é alvo de operação em 7 cidades de SP
Segundo a polícia, “núcleo político” foi identificado em 2024, durante operação antes das eleições municipais. Cinco pessoas foram presas
atualizado
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A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira (27/4) operação que mira um grupo ligado ao “núcleo político” do Primeiro Comando da Capital (PCC). Cinco pessoas identificadas como lobistas foram presas temporariamente e 22 mandados de busca e apreensão cumpridos em sete cidades de São Paulo, além de localidades em Goiás, Paraná e Brasília. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 513 milhões de alvos ligados ao PCC.
Batizada de Contaminatio, a ofensiva é desdobramento da Operação Decurio, deflagrada em 2024 e também com foco no núcleo específico do PCC com vistas a infiltrar pessoas nas eleições de 2024. Na ocasião, nenhum dos nomes lançados pela facção aos cargos municipais foram eleitos.
Segundo o delegado Fabricio Intelizano, responsável pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, os alvos usavam um estruturado aparato para lavar dinheiro do PCC, principalmente do tráfico de drogas. Dispositivos eletrônicos foram apreendidos e serão analisados em busca de novos elementos sobre o “núcleo político” da facção.
“A análise de dados armazenados em dispositivos eletrônicos apreendidos na primeira fase, bem como a análise de informações de inteligência financeira, corroborou o envolvimento dos alvos com a exploração do tráfico de drogas, sob a tutela do PCC. Comprovou, ainda, uma nítida articulação entre os investigados com a finalidade de criar um ‘núcleo político’ para explorar recursos oriundos do poder público em favor do PCC, bem como o cometimento de crimes contra a administração pública”, explicou o delegado.
Segundo a polícia, alguns dos investigados na operação desta segunda-feira são pessoas “politicamente expostas” — entre elas haveria funcionários do primeiro escalão da administração pública de cidades nas regiões da Baixada Santista, ABC paulista, Campinas, Ribeirão Preto e outras.
Uso de fintech
“Ficou clara a intenção (dos alvos) de inserir nessas localidades uma fintech criada por integrantes do PCC com a finalidade de branquear valores de crimes cometidos pela facção. Ela seria usada, por exemplo, para o recebimento de receitas municipais, tais como taxas e impostos”, disse Intelizano.
Os mandados foram cumpridos na capital paulista, Guarulhos, Santo André, Mairinque, Campinas, Ribeirão Preto e Santos, em São Paulo; em Goiânia e Aparecida de Goiânia, em Goiás; em Londrina, no Paraná; e em Brasília.
