PM preso diz que Milton Leite era “dono” de empresa associada ao PCC
Sargento acusado de fazer segurança para diretores da Transwolff diz que ex-presidente da Câmara Municipal comandava empresa
atualizado
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Alexandre Aleixo Romano Cezário, 2º sargento da Polícia Militar preso na última quarta-feira (4/2), disse em depoimento à Corregedoria da corporação que o ex-vereador Milton Leite (União) seria o dono da empresa de transporte coletivo Transwolff, investigada por lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o PM, os demais diretores da companhia atuavam como “laranjas”.
O ex-parlamentar contesta a informação. Afirma tratar-se de “mentira” por não ser dono da empresa (leia nota abaixo).
A prisão do sargento Cezário ocorreu durante uma operação contra agentes que fizeram a segurança pessoal de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, Pandora, e Cícero de Oliveira, Té, ex-diretores da Transwolff. Um outro policial preso, o capitão Alexandre Paulino Vieira, atuou como segurança de Milton Leite.
No depoimento à Corregedoria, Cezário disse que o capitão Alexandre passou a comandar a equipe de segurança dos líderes da Transwolff por intermédio do vereador, então presidente da Câmara Municipal. Na época, o oficial era assessor militar da Câmara Municipal e trabalhava diretamente com Milton Leite.
“Perguntado quem colocou o Cap Alexandre como administrador das equipes de segurança, respondeu que, como o Cap PM trabalhava na Câmara Municipal com o Milton Leite e este (Milton Leite) era de fato o ‘dono’ da TW e os demais diretores eram apenas ‘laranjas’, acredita que por isso foi indicado o Cap PM, mas ressalta que ‘ouvia’ dizer isso sobre Milton Leite, mas não pode provar”, afirmou Cezário.
O policial militar disse que ficou no “bico” como segurança de diretores da Transwolff durante quatro meses e que só aceitou o trabalho pela “confiança” que tinha no capitão Alexandre.
Relembre o caso
- Transwolff e a UpBus estão sob intervenção da gestão municipal de São Paulo desde abril de 2024, quando foram alvo da Operação Fim da Linha por vínculo com o PCC.
- O dono da Transwolff, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e o sócio da UpBus, Silvio Luís Ferreira, o Cebola, tiveram mandatos de prisão cumpridos em seus nomes durante a operação.
- Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, a Transwolff recebeu um aporte de R$ 54 milhões da facção criminosa, obtido com tráfico de drogas e outros delitos, para participar da licitação do transporte público na capital paulista.
- A Transwolff e a Upbus operam, respectivamente, as linhas de ônibus da zona sul e leste da cidade de São Paulo — e transportam, juntas, 700 mil passageiros na capital.
O que diz a empresa
Em nota, a empresa Transwolff afirmou não haver “qualquer fundamento nas alegações de suposta relação da empresa ou de seus representantes com atividades ilícitas ou com os policiais militares citados na reportagem”.
Acrescenta que “repudia veementemente qualquer tentativa de associação com organizações criminosas. A Transwolff segue se defendendo nas instâncias competentes e colaborando com as autoridades”.
O que diz Milton Leite
O ex-vereador afirmou não conhecer o sargento que fez o depoimento à Corregedoria e que não é dono da Transwolff.
“Asseguro que não conheço o segundo sargento mencionado e o que ele afirma é uma mentira. A verdade é que de livre e espontânea vontade ofereci meus sigilos bancário, fiscal e telefônico ao Ministério Público quando estas mesmas mentiras foram ditas dois anos atrás. E nada foi encontrado, pois não sou dono de tal empresa nem participei de nenhuma ilegalidade”.
Acrescenta que permanece à disposição de qualquer autoridade.
