
Podemos adia decisão sobre aliança com Flávio Bolsonaro
Convenção decidiu na quinta (30/7) que a executiva nacional terá até 5 de agosto para definir alianças. Tendência é de neutralidade

O Podemos encerrou a convenção nacional na tarde de quinta-feira (30/7) sem definir se participará da disputa pela Presidência da República nas eleições deste ano.
Cortejado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), o partido decidiu transferir à executiva nacional a responsabilidade de definir os rumos da legenda até a próxima quarta-feira (5/8), último dia do prazo para as convenções partidárias.

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Ver todasCom a decisão, a direção nacional, presidida por Renata Abreu (foto em destaque), terá autonomia para escolher se o Podemos lançará candidatura própria, apoiará outro candidato ou permanecerá neutro na corrida ao Palácio do Planalto.
Segundo dirigentes da sigla, a tendência é de que o partido opte pela neutralidade e não declare apoio formal a nenhum presidenciável.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDiferentes instâncias do Podemos têm sido consultadas sobre uma possível aliança com Flávio Bolsonaro. Um dos defensores da coligação é o vice-presidente da sigla, pastor Everaldo.
O PL tem mantido conversas com a legenda desde o início do ano, especialmente por meio do presidente do partido, Valdemar Costa Neto. Em 2022, o Podemos integrou a coligação da então candidata, Simone Tebet (MDB).
A indefinição amplia as dificuldades enfrentadas pela campanha de Flávio para atrair partidos do Centrão. Sem conseguir fechar acordos, o candidato ainda não anunciou o nome do vice e mantém a vaga em aberto como forma de negociar alianças.
A expectativa inicial do PL era apresentar a chapa completa durante a convenção que oficializou Flávio como candidato à Presidência, no sábado (25/7). Como as negociações não avançaram, a escolha do vice foi adiada.
Na convenção, o PL autorizou a executiva nacional a decidir posteriormente sobre uma eventual coligação, a indicação do candidato a vice-presidente e outros assuntos relacionados às eleições de 2026.
O nome preferido de Flávio para a vice é o da ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Ela é filiada ao Republicanos, partido que também sinaliza a possibilidade de permanecer neutro na disputa presidencial. A convenção nacional da legenda está marcada para a próxima terça-feira (4/8).
Outra tentativa do PL foi atrair a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) chegou a aceitar o convite para compor a chapa nesta semana, após recusá-lo em outras ocasiões.
A composição, porém, foi barrada pela direção nacional do PP, que reafirmou a decisão de manter a neutralidade na eleição presidencial.
Corrida contra o tempo
Uma das estratégias do PL é aproveitar uma brecha na legislação eleitoral. Embora os candidatos precisem ser aprovados em convenção até 5 de agosto, os partidos podem delegar à executiva nacional a decisão sobre coligações e indicações de candidaturas.
O mecanismo foi adotado tanto pelo PL quanto pelo Podemos.
Com isso, a definição da chapa pode ser adiada até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.
Para viabilizar esse caminho, o PL precisa fechar uma coligação com um partido que também tenha delegado esse poder à sua executiva nacional ou aprovar a aliança ainda durante a convenção.
Se nenhuma negociação prosperar, caberá ao próprio partido indicar o candidato a vice. Segundo interlocutores da legenda, nesse caso, a decisão final será de Flávio Bolsonaro.



