Após protestos, CCJ do Senado rejeita PEC da Blindagem por unanimidade

Proposta foi contestada por vários setores da população, que promoveram manifestações no último domingo (21/9) em várias capitais do Brasil

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Reprodução/TV Senado
Plenário da CCJ do Senado durante votação da PEC da Blindagem
1 de 1 Plenário da CCJ do Senado durante votação da PEC da Blindagem - Foto: Reprodução/TV Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 3, de 2021, conhecida como PEC da Blindagem, que buscava um escudo constitucional para proteger parlamentares de processos criminais. O relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou relatório no qual declara a proposta “inconstitucional” e recomendou sua rejeição.

O voto do relator foi seguido pelos senadores, de forma unânime: 26 votos a zero.

“Não podemos confundir prerrogativas com proteção àquele que comete crimes. A sociedade brasileira grita em sentido diametralmente oposto, ou seja, ela almeja o fim da impunidade, como as amplas manifestações públicas sinalizaram no último domingo”, diz o relatório.

Haverá mais uma votação no plenário e a expectativa é de mais uma unanimidade contra a proposta.

“Votamos pela inconstitucionalidade, injuridicidade e rejeição da Proposta de Emenda à Constituição (…). Confio que o plenário desta Comissão rejeitará a PEC da Blindagem, virando uma página triste do nosso Legislativo e homenageando a nítida vontade popular, que clama por mais justiça”, escreveu o relator.

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Os senadores Flavio Bolsonaro e Magno Malta participaram
Senador Otto Alencar
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado vota nesta quarta-feira (24) a PEC 3/2021.

Local: Senado Federal
Os senadores Flavio Bolsonaro e Magno Malta
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado vota nesta quarta-feira (24) a PEC 3/2021. O relator, Alessandro Vieira (MDB-SE)
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado vota nesta quarta-feira (24) a PEC 3/2021. O relator, Alessandro Vieira (MDB-SE)

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O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), declarou após a votação que fez um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para também votar a rejeição da PEC no plenário. Por ter sido uma decisão unânime, a regra interna estabelecia que não caberia recurso sobre a votação e nem que o tema fosse levado ao plenário.

Veja como foi:

Leia o relatório do senador Alessandro Vieira na íntegra:

Relatório PEC 3 – Alessandro Vieira by Carlos Estênio Brasilino

Nessa terça-feira (23/9), na tentativa de salvar o texto, o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) apresentou uma emenda à PEC que prevê a exigência de autorização prévia da Câmara ou do Senado para a abertura de investigações contra parlamentares apenas em casos que envolvam “crime contra a honra” ou “qualquer imputação fundada exclusivamente em opiniões, palavras e votos do parlamentar”.

Na sessão desta quarta, no entanto, o ex-juiz recuou e retirou a sugestão. “Penso que poderíamos avançar, mas o relator não acolheu. Não vou insistir na PEC neste momento, mas rogo aqui nesta Casa que nós possamos discutir esse tema com a devida liberdade e com a devida serenidade em outro momento”, declarou Moro.

Rejeitada pela população

A Câmara aprovou a PEC da Blindagem em 16 de setembro. A decisão foi rejeitada por parte da população, que promoveu manifestações no último domingo (21/9) em diversas capitais do Brasil.

A proposta previa mudar a Constituição para que deputados e senadores não possam ser processados criminalmente sem a autorização de sua própria Casa, desde o momento em que tomarem posse.


A PEC da Blindagem:

  • Proposta quer impedir que deputados e senadores sejam processados sem autorização de suas próprias Casas, com votação secreta e decisão em até 90 dias após pedido do STF.
  • Câmara aprovou o projeto em 16 de setembro, mas a população rejeitou a medida e realizou manifestações em várias capitais no último domingo (21/9).
  • Senador Sergio Moro apresentou emenda restringindo a autorização prévia somente a casos de “crime contra a honra” ou imputações baseadas em opiniões, palavras e votos do parlamentar.

A decisão sobre essa autorização seria tomada por votação secreta, com a aprovação da maioria dos integrantes da Casa, e precisaria ocorrer em até 90 dias após o pedido do Supremo Tribunal Federal (STF).

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