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Distrito Federal

Adeus, Nelzinha. Amigos se despedem da jornalista Nelza Cristina

Nelza Cristina, 65 anos, morreu na noite desta quinta-feira (23/7), em João Pessoa (PB), após complicações cardíacas

Josemar Gonçalves
Imagem preto e branco de Nelza Cristina, jornalista

Das redações, das conversas, dos aprendizados, das risadas, da leveza e da parceria de todas as horas. Amigos, familiares e o jornalismo se despedem de um grande nome: Nelza Cristina Mendes, 65 anos, editora que marcou e formou uma geração de repórteres na capital federal.

Nelzinha, como era chamada carinhosamente pelos amigos, morreu nesta quinta-feira (23/7), após complicações cardíacas. Carioca, ela chegou a Brasília em 1980 e fez história como repórter, editora e chefe de reportagem do Jornal de Brasília, onde trabalhou por cerca de 20 anos.

Filha de Dona Clarice e casada com o repórter fotográfico Josemar Gonçalves, Nelza emanava paz de espírito e leveza por onde passava. Após a aposentadoria, ela e Josemar se mudaram para João Pessoa (PB), em 2016, e realizaram o sonho de viver em um apartamento na beira da praia.

Apesar da distância do quadradinho, Nelza fazia questão de manter relações com amigos de Brasília. Ela até mandava mensagens, mas gostava mesmo de telefonar e conversar por horas. Dois dias antes de falecer, já internada no hospital, fez questão de mandar mensagens para vários amigos dizendo que estava bem e pedindo proteção divina a todos. A mensagem revela uma das características marcantes de Nelza: mesmo com a saúde debilitada, ela continuava se importando com as pessoas à sua volta.

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Daí de cima, receba esta homenagem das pessoas que te amam, Nelzinha.

“Minha professora, mestra e, acima de tudo, uma grande amiga. Obrigado por todos os ensinamentos, conselhos e puxões de orelha. Seu legado nunca será esquecido. Descanse em paz, Nelzinha!”
Saulo Araújo, editor de Cidades do Metrópoles. 

“A Nelzinha é daquelas pessoas que marcam toda uma geração, não só por ser uma excelente jornalista e chefe, mas pelos momentos no cafezinho e fora da redação. Eu tive a honra de recebê-la na minha casa, almoçar várias vezes com ela, Josemar e a mãe, dona Clarice. Eu tive a sorte de aprender com ela que profissionalismo e competência podem andar junto com ternura e compreensão. Agora, além dos ensinamentos, fica a saudade”.
Andressa Anholete, repórter fotográfica e servidora pública.

“Tenho duas imagens guardadas na memória da querida Nelza, dos tempos que trabalhamos juntos aqui no Jornal de Brasília. Uma é a dela com as grandes amigas Marcia Delgado e Suelene Gusmão chegando no “fumódrono” do jornal para uma conversa rápida antes de começar o trabalho no início da tarde. A outra é a imagem dela ao telefone nas apurações das matérias do dia. Nelza era muito competente como repórter e depois como chefe de reportagem. Todos adoravam ela. Uma perda grande”.
Ricardo Nobre, editor-chefe do Jornal de Brasília.

A primeira impressão era de uma pessoa ranzinza. Mas bastavam poucos minutos para se descobrir não só um humor caustico, mas um coração que eclipsava a pretensa rabugice. Em anos de convivência, aprendi com Nelza a ter paciência, a rir de infortúnios, a conviver com o diferente. Sua trajetória impactou quem estava começando, quem julgava estar sabendo e quem sabia e ensinava em nossa profissão. Por isso e muito mais: uma saudade imensa“.
Paulo Gusmão, jornalista.

“Nelza era uma excelente profissional, com uma apuração rigorosa e minuciosa. Jornalista muito comprometida com seu trabalho e uma amiga de primeira hora”.
Maria Eugênia, editora do Metrópoles.

“Fomos amigas inseparáveis no JBr, junto com Suelene. Seguimos rumos profissionais diferentes e, depois de aposentada, Nelzinha foi morar a poucos passos da praia em João Pessoa. Nunca, porém, perdemos a conexão. A admiração, o respeito e o carinho sempre nos acompanharam. Agora, fica a saudade desta minha amiga querida, que era um ser de luz. Uma profissional de primeira qualidade e um ser humano incrível, que Deus me deu o privilégio de conviver. Obrigada por tudo, Nelzinha!”
Márcia Delgado, editora-chefe do Metrópoles.

“Nelzinha era simples, prática, resolutiva, mas de um coração que realmente não cabia no peito. Quando parava pra ouvir, ouvia com atenção. Quando olhava no olho da gente, era sempre com a mensagem subliminar que tudo ia passar. Como jornalista, impecável, direta, mas sempre buscava o lado humano da notícia. Formou muitos dos que aí estão. Deixará um buraco, mas que será preenchido pelas boas lembranças”.
Kátia Sleide, editora-chefe do Brasília Agora

“Séria sem precisar ser chata, precisa no faro, na medida certa para apagar incêndios e manter a harmonia do ambiente – assim era Nelza Cristina, com quem dividi rotinas memoráveis da redação do Jornal de Brasília na segunda metade dos anos 90 do século passado. A primeira característica que me vem à lembrança quando penso nela é a assertividade: desde os tempos de repórter, sabia muito bem o que explorar, como chegar ao ponto, a melhor forma de traduzir o fato ao leitor e, cereja do bolo: o talento para a boa escuta. Hoje, quando ela partiu, deixou uma saudade e uma presença viva, lembranças acesas do jornalismo honesto, do coração generoso e da delicada objetividade com que se pautava no dia a dia. No meu coração vagabundo, essa saudade está agasalhada com a sensação de que Nelza já se encontra muito bem-amparada no Lado Maior. E que o melhor ficou em seu rastro, este sempre vivo. Siga em paz, amiga. Conviver com você foi um presente”.
Chico Neto.

“Nelza era profissional exemplar, que ajudou a formar gerações de jornalistas com base no exemplo diário de comprometimento e amor à profissão. Mas o maior legado é o da amizade e caráter. Deixa saudades a todos que tiveram o privilégio de desfutar da sua companhia”.
Otto Valle, diretor de redação do Metrópoles.

Quando cheguei à chefia de reportagem do Jornal de Brasília, em 2001, a Nelza era uma das repórteres mais versáteis da equipe, ao lado da Márcia Delgado, uma das melhores amigas dela. Para as duas, não havia pauta perdida. Depois, quando passei para o cargo de editor chefe, me apoiei nas duas, agora como editoras, para comandar Cidades, com o apoio da igualmente competente Maria Eugênia, editora executiva. Essas três grandes jornalistas formaram uma geração de excelentes repórteres, com ética, disciplina, compromisso com o leitor. A Nelza já fazia falta ao jornalismo e, agora, fará ao mundo”.
Jorge Eduardo, diretor de redação do GPS Brasília.

Foram 25 anos de amizade, muita mesa de bar, risos e longas e memoráveis histórias. Nelzinha se vai, mas deixa um legado lindo!
Bruno Spada, repórter fotográfico

Hoje o jornalismo de Brasília perde uma de suas luzes mais brilhantes. Nelza foi mestra, orientadora e a mão firme que me guiou nos meus primeiros passos no jornalismo, ensinando-me o verdadeiro valor do compromisso com a notícia. Sua partida deixa uma saudade imensa, mas seu legado de ética, generosidade e paixão pela profissão continuará vivo“.
Carlos Carone, colunista do Metrópoles