Carbono Oculto desmonta o “mercado” de combustíveis do PCC; entenda

Segunda fase da operação é deflagrada nesta quinta-feira (28/5) pelo Gaeco e pela Receita Federal, em cinco estados

atualizado

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Imagem colorida mostra viatura antes de operação. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra viatura antes de operação. Metrópoles - Foto: Divulgação/Receita Federal

A Operação Carbono Oculto, cuja primeira fase deflagrada em agosto de 2025, é uma investigação que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e no sistema financeiro.

A segunda fase da operação, chamada de Fluxo Oculto e realizada nesta quinta-feira (28/5), colocou na mira empresários e operadores suspeitos de manter esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC dentro do mercado de combustíveis.

O grupo não apenas lavava dinheiro proveniente do crime, mas também obtinha altos lucros na cadeia de produção e comercialização de combustíveis.

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Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC
Operacao Carbono Oculto deglagrada nesta quinta-feira (28/5)
Operação é realizada pelo Gaeco
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Operação é realizada pelo Gaeco

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Operacao Carbono Oculto deglagrada nesta quinta-feira (28/5)
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Operacao Carbono Oculto deglagrada nesta quinta-feira (28/5)

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A ação, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Receita Federal, cumpriu 59 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Segundo as investigações do Gaeco e da Receita, o uso de fintechs permitia ocultar a origem dos recursos, enquanto práticas como sonegação fiscal e adulteração de produtos,que prejudicavam consumidores e a sociedade, gerando impactos como danos aos motores dos veículos, poluição com alta concentração de enxofre, riscos à saúde e sonegação fiscal.

Infográfico Operação Fluxo Oculto
Infográfico Operação Fluxo Oculto

Segundo a Receita Federal, foram identificadas seis novas fintechs que atuavam como bancos paralelos do grupo. Elas formavam um núcleo financeiro usado para compensações entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas e fundos de investimentos ligados à organização.

As seis fintechs movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. Já entre 2022 e 2025, uma delas recebeu mais de R$ 1 bilhão em depósitos em espécie.

Das seis fintechs objeto da Operação Fluxo Oculto, três declararam à Receita, por meio da e-Financeira, cerca de R$ 8 bilhões movimentados de janeiro a dezembro de 2025. As outras três serão autuadas por não entregarem a declaração obrigatória.

Também já foram identificadas transações de pelo menos R$ 365 milhões em criptoativos das instituições de pagamento.

Metamorfose estratégica

Composta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), pela Receita Federal e pela Polícia Federal, a Operação Carbono Oculto é uma das maiores ofensivas da história do país contra a estrutura econômica do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A investigação revelou que a facção criminosa completou uma profunda metamorfose estratégica, deixando de ser apenas um cartel de narcotráfico para se transformar em um sofisticado conglomerado empresarial.

O foco central da operação foi desarticular um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro que conectou postos de gasolina da periferia aos escritórios climatizados da Faria Lima, o coração financeiro do Brasil.

A rede criminosa nacional operava em duas frentes integradas: a primeira focada em fraudes estruturadas no setor de combustíveis e a segunda voltada ao mercado financeiro.

A engrenagem dependia de uma imensa cadeia logística lícita. No asfalto, o grupo atuava na sonegação fiscal massiva, na adulteração de gasolina por meio do desvio de metanol importado e no controle de dezenas de distribuidoras e postos de revenda de combustíveis.

De acordo com as investigações, o setor de combustíveis consolidou-se como o segundo maior negócio do crime organizado na economia brasileira, servindo como uma perfeita máquina de gerar dinheiro vivo.

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