Brasil foca em inovação após entrar na faixa de alto desenvolvimento humano
Especialistas e representantes da base governista defendem inovação e indústria para manter avanço social e reduzir desigualdades no Brasil

Após o Brasil alcançar, pela primeira vez, a faixa de muito alto desenvolvimento humano, especialistas e representantes do governo federal defenderam, nesta segunda-feira (3/8), que o próximo desafio do país é transformar os avanços sociais em crescimento econômico sustentável, com foco em inovação, produtividade e fortalecimento da indústria.
O debate ocorreu durante a primeira edição do “Café com a Indústria”, promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em Brasília (DF).
O encontro reuniu autoridades e representantes do setor produtivo, com foco em discutir como aumentar a competitividade da indústria brasileira diante das mudanças nas cadeias globais de produção.
O presidente da ABDI, Olavo Noleto, afirmou que a agência pretende aproximar as políticas públicas das empresas para acelerar projetos estratégicos. Segundo ele, não basta elaborar programas de incentivo, é preciso “garantir que eles saiam do papel”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNoleto destacou que a ABDI quer ampliar iniciativas voltadas à Indústria 4.0, inteligência artificial e digitalização da produção. Como exemplo, citou um projeto desenvolvido com a Bio-Manguinhos para criar uma réplica digital da planta industrial da unidade.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasPolítica industrial exige continuidade, diz presidente da FarmaBrasil
Durante o evento, o presidente-executivo da FarmaBrasil, Reginaldo Arcuri, afirmou que o Brasil já mostrou capacidade para executar políticas industriais de longo prazo, mas enfrenta dificuldades para manter essas estratégias ao longo dos diferentes governos.
Segundo ele, o país precisa deixar de depender apenas da exportação de commodities e investir em setores de maior valor agregado, como bioeconomia, transição energética, transformação digital e o complexo econômico-industrial da saúde.
“O Brasil já provou que consegue promover transformações estruturais. O desafio é manter prioridades claras, metas definidas e coordenação entre os órgãos públicos”, afirmou.
Arcuri também defendeu maior participação da Presidência da República na coordenação das políticas industriais para evitar sobreposição de ações e acelerar a execução dos projetos.
Desigualdade ainda reduz impacto do desenvolvimento
Economista-chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Betina Barbosa ressaltou que o país atingiu um marco histórico ao registrar Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805, entrando na faixa de muito alto desenvolvimento humano.
Apesar do avanço, ela alertou que a desigualdade ainda impede que esse progresso alcance toda a população.
Indicadores sociais
- Segundo Barbosa, quando o indicador considera as diferenças de renda, educação e saúde, o Brasil deixa a categoria de muito alto desenvolvimento humano e volta à faixa de desenvolvimento médio.
- A economista também lembrou que a pandemia de Covid-19 provocou fortes impactos nos indicadores sociais.
- De acordo com ela, o país perdeu mais de uma década de avanços na renda, registrou queda na expectativa de vida e ainda enfrenta reflexos na educação.
- Ela destacou que as desigualdades entre negros e brancos, além das diferenças entre homens e mulheres, vêm diminuindo, mas em ritmo considerado insuficiente.
- Para a economista, o maior potencial de avanço está na educação, especialmente entre jovens negros no ensino médio, etapa considerada essencial para formar profissionais qualificados para a nova economia.
Inovação é prioridade
O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, afirmou que o principal desafio do Brasil é tecnológico.
Moreira apontou a política da Nova Indústria Brasil (NIB) como o principal instrumento para esse avanço e afirmou que programas voltados aos setores automotivo, da saúde e da transição energética já começam a atrair investimentos privados.
“O Brasil já possui instituições consolidadas e capacidade para atrair investimentos. O desafio agora é transformar esse potencial em inovação, tecnologia e empregos de maior qualificação […] A política industrial é o instrumento capaz de romper a armadilha da renda média, aumentar a produtividade e promover uma transformação estrutural da economia brasileira.”
O secretário também defendeu que iniciativas ligadas a áreas como painéis solares, data centers e novas tecnologias fortaleçam a cadeia produtiva nacional, com o objetivo de gerar empregos qualificados e aumentar a competitividade da indústria brasileira.











