ONU: Brasil atinge auge do desenvolvimento, mas segue um país desigual
Brasil entrou, pela primeira vez, grupo de países com desenvolvimento humano muito alto após atingir o IDHM de 0,805
atualizado
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O Brasil atingiu o auge do desenvolvimento humano, mas ainda assim continua um país com altas taxas de desigualdades sociais. O dado consta em um relatório lançado nesta terça-feira (26/5) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O IDHM e como ele é calculado?
- O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) mede a qualidade de vida nos municípios brasileiros.
- Ele é calculado com base em três fatores: educação, longevidade (saúde) e renda.
- O IDHM é calculado em uma escala que varia de 0,000 a 1,000. Quanto mais desenvolvido, mais próximo do 1,000 o município está.
- Ao todo, o IDHM possuí cinco faixas desenvolvimento.
- Entre 0,000 e 0,499 ele é considerado muito baixo. De 0,500 a 0,599, é classificado como baixo. Se estiver entre 0,600 a 0,699, é médio.
- De 0,700 a 0,799, é IDHM é alto. Já entre 0,800 a 1,000, o índice é considerado muito alto.
O relatório Radar IDHM: Evolução do IDHM e de seus componentes – Período de 2012 a 2024 apresenta uma análise sobre o Brasil nos últimos 13 anos. O documento é uma parceria entre o PNUD, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Fundação João Pinheiro.
Em 2024, o país ingressou, pela primeira vez, no grupo de países que apresentam um nível muito alto de desenvolvimento humano após atingir um IDHM de 0,805. Com isso, o Brasil se juntou a outras 74 nações, como Noruega, Suíça, Alemanha e Estados Unidos, que também estão na mesma classificação.
De acordo com o documento, o Brasil saltou de um índice de desenvolvimento de 0,744 em 2012, classificado como alto, para 0,805 em 2024. Um aumento de 0,061 pontos.
O crescimento foi quase que contínuo entre o período analisado, apesar de uma diminuição no IDHM nos anos de 2020 e 2021, causado pela pandemia de Covid-19.
Desigualdades persistem
Apesar do avanço, o país ainda apresenta altos índices de desigualdade quando os dados são analisados de forma isolada. Considerando o IDHM ajustado à Desigualdade (IDHMAD), o Brasil volta ao nível de médio desenvolvimento humano, com 0,641 na escala que vai de 0,000 a 1,000.
O IDHM entre homens, por exemplo, atingiu o patamar de 0,802 em 2024, e os colocou no índice de muito alto desenvolvimento humano. Enquanto isso, o desenvolvimento de mulheres ficou na marca de 0,798, deixando-as no nível de alto desenvolvimento humano.
As desigualdades também ficam evidentes quando os indicadores são analisados com base na raça. Em 2024, os brancos alcançaram o nível de 0,851, classificado como muito alto desenvolvimento humano. Já as pessoas negras atingiram o IDHM de 0,774, classificado como alto.
“A marcante desigualdade racial no Brasil é evidenciada pelos diferentes patamares alcançados entre a população negra e a população branca”, diz um trecho do relatório. “A primeira está sempre uma faixa abaixo de desenvolvimento humanos em relação à segunda”.
Desigualdade entre unidades da Federação
O Distrito Federal é a unidade da Federação com maior IDHM do Brasil, com números bem mais altos que outros estados do país.
A expectativa de vida no DF, por exemplo, é de 79,75 anos. Enquanto isso no Amapá, que tem o 5º IDHM mais baixo do país, ela é de 74,32 anos.
Enquanto no DF 83,38% da população maior de 18 anos tem ensino fundamental completo, a Paraíba, cujo IDHM é o 7º menos do Brasil, apesenta um índice de apenas 59,14%.
A diferença na renda domiciliar per capita — a média de dinheiro que cada pessoa em uma casa teria para viver durante o mês — também é gritante. No DF, ela chegou a R$ 1.465,10 em 2024, enquanto no Maranhão, o estado com o menor IDHM brasileiro, ela é de R$ 482,46.







