Fiesp diz ver novo tarifaço com “preocupação” e pede reação do governo

Fiesp afirmou que as medidas anunciadas pela Casa Branca podem representar “um forte impacto negativo” para o comércio entre os dois países

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 Imagem de Paulo Skaf, de volta à presidência da Fiesp - Metrópoles - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou “profunda preocupação” com o possível novo tarifaço comercial dos Estados Unidos sobre as importações brasileiras.

Em nota divulgada nesta terça-feira (2/6), a entidade afirmou que as medidas anunciadas pela Casa Branca podem representar “um forte impacto negativo” para o comércio entre os dois países.

Nessa segunda-feira (1º/6), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) propôs taxar as importações brasileiras em 25% para punir práticas “irrazoáveis”. A proposta consta da conclusão da investigação sobre o Pix aberta pelo governo norte-americano. Agora, ela será levada a audiências públicas para discutir o assunto. A decisão final sobre aplicar ou não o novo tarifaço caberá ao presidente dos EUA, Donald Trump.

O que diz a Fiesp

“A Fiesp acompanha com profunda preocupação o relatório preliminar da Seção 301, divulgado pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A proposta apresentada contém um forte impacto negativo para as relações comerciais bilaterais e na competitividade do Brasil”, diz o comunicado assinado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e pelo presidente do Conselho Superior de Relações Exteriores da federação, Roberto Azevêdo.

“A diplomacia empresarial cumpriu um papel relevante na negociação das exclusões de uma lista de produtos até aqui. Neste momento, no entanto, é fundamental uma atuação rápida e firme do governo brasileiro para evitar a confirmação de prejuízos graves às exportações do país antes da decisão final, esperada para julho”, afirmou Skaf.

No comunicado, a Fiesp reitera ainda “seu compromisso em colaborar com as autoridades” e diz que “seguirá empenhada na diplomacia empresarial para reverter as medidas propostas ou mitigar seus impactos no Brasil”.

O que apontam as investigações dos EUA

A investigação concluiu que certos atos, políticas e práticas do Brasil são “irrazoáveis ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA”. Para chegar a essa conclusão, os EUA se basearam na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

A proposta também inclui alguns produtos que estariam isentos da taxa de 25%, entre os quais materiais informativos, doações e uma lista que inclui algumas carnes, frutas e café. Segundo o escritório, as isenções são para produtos que, com a sobretaxa, poderiam faltar nos EUA.

De acordo com o escritório, no âmbito da investigação, foram escutadas mais de 30 pessoas, que fizeram mais de 295 comentários e réplicas. Sobre a proposta, o representante comercial diz que ouvirá o público, que poderá enviar comentários por escrito até 1° de julho. Uma primeira audiência está marcada para 6 de julho. Para participar presencialmente, os pedidos devem ser enviados até 22 de junho.

A investigação começou em 15 de julho do ano passado por determinação de Trump. A medida ocorreu logo após os EUA taxarem os produtos brasileiros em 50%, citando práticas “desleais” brasileiras.

Ao longo do último ano, a discussão sobre as tarifas, com a reversão de boa parte delas, foi assunto de várias conversas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A última delas foi em maio, na Casa Branca.

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