Dólar cai e Bolsa sobe, apesar de novo tarifaço e escalada da guerra

Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,39%, cotado a R$ 5,023. Ibovespa fechou o pregão em baixa de 0,91%, aos 172,1 mil pontos

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1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Olena Malik/Getty Images

O dólar opera em queda, nesta terça-feira (2/6), em meio à repercussão do novo tarifaço comercial anunciado pelos Estados Unidos sobre importações do Brasil, em represália a práticas supostamente “irrazoáveis” e que “oneram ou restringem o comércio dos EUA”.

Os investidores também seguem monitorando o passo a passo das negociações entre norte-americanos e iranianos em torno do possível fim da guerra no Oriente Médio. Após uma onda de otimismo no fim da semana passada, nos últimos dias a percepção do mercado é a de que as tratativas voltaram a emperrar e que um acordo está mais distante.


Dólar

  • Às 12h57, o dólar caía 0,17%, a R$ 5,014.
  • Mais cedo, às 11h50, a moeda norte-americana recuava 0,27% e era negociada a R$ 5,012.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,022. A mínima é de R$ 5,00.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,39%, cotado a R$ 5,023.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 0,39% no mês e de 8,49% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), opera em alta firme no pregão.
  • Às 13 horas, o Ibovespa avançava 1,48%, aos 174,7 mil pontos.
  • No dia anterior, o indicador fechou o pregão em baixa de 0,91%, aos 172,1 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula recuo de 0,91% em junho e valorização de 6,88% em 2026.

Novo tarifaço sobre o Brasil

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) propôs taxar as importações brasileiras em 25% para punir práticas “irrazoáveis”. A proposta consta da conclusão da investigação sobre o Pix aberta pelo governo norte-americano e divulgada nessa segunda-feira (1°/6). Agora, ela será levada a audiências públicas para discutir o assunto. A decisão final sobre aplicar ou não o novo tarifaço cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.

A investigação concluiu que certos atos, políticas e práticas do Brasil são “irrazoáveis ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA”. Para chegar a essa conclusão, os EUA se basearam na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

A proposta também inclui alguns produtos que estariam isentos da taxa de 25%, entre os quais materiais informativos, doações e uma lista que inclui algumas carnes, frutas e café. Segundo o escritório, as isenções são para produtos que, com a sobretaxa, poderiam faltar nos EUA.

De acordo com o escritório, no âmbito da investigação, foram escutadas mais de 30 pessoas, que fizeram mais de 295 comentários e réplicas. Sobre a proposta, o representante comercial diz que ouvirá o público, que poderá enviar comentários por escrito até 1° de julho. Uma primeira audiência está marcada para 6 de julho. Para participar presencialmente, os pedidos devem ser enviados até 22 de junho.

A investigação começou em 15 de julho do ano passado por determinação de Trump. A medida ocorreu logo após os EUA taxarem os produtos brasileiros em 50%, citando práticas “desleais” brasileiras.

Ao longo do último ano, a discussão sobre as tarifas, com a reversão de boa parte delas, foi assunto de várias conversas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A última delas foi em maio, na Casa Branca.

Irã acusa EUA e Israel de violarem cessar-fogo

Em meio à escalada de violência no Líbano, o governo do Irã acusou EUA e Israel de violarem o cessar-fogo no Oriente Médio – que inclui uma trégua nos ataques contra o território libanês. A declaração foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores do país persa.

Segundo a chancelaria iraniana, o lado norte-americano tem rompido a trégua, firmada em 8 de abril, desde os primeiros dias do acordo, ao realizar ataques contra embarcações iranianas na região do Golfo. O mesmo estaria sendo feito por Israel, que “violou a integridade territorial e a soberania nacional do Líbano, provocando a morte e dezenas de libaneses feridos”, diz um trecho do comunicado.

“A responsabilidade direta dos EUA, tanto na violação do cessar-fogo com o Irã quanto na violação do cessar-fogo pelo regime de Israel contra o Líbano, está comprovada, e a responsabilidade por efeitos e consequências dessa situação recai sobre os Eua”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Irã.

Na manhã dessa segunda-feira, o Irã suspendeu as negociações indiretas com os EUA por causa das ações de Israel no Líbano. Desde o fim de semana, forças israelenses avançaram sobre o território libanês, com ordens do premiê Benjamin Netanyahu, sob a justificativa de atacar posições do Hezbollah.

O fim da violência no Líbano foi uma das condições impostas pelo Irã na atual trégua no Oriente Médio. Em abril, o governo dos EUA chegou a anunciar um cessar-fogo no país, que posteriormente foi estendido. Israel e Hezbollah, contudo, nunca cumpriram o que foi firmado, e continuaram com os ataques mútuos.

Diante da pressão dos iranianos, Trump disse ter convencido Netanyahu a recuar. De acordo com o líder norte-americano, tropas das Forças de Defesa de Israel (FDI) não devem avançar nos planos de atacar a capital libanesa, Beirute, conforme havia anunciado o governo israelense. Ele também afirmou que o Hezbollah concordou em parar com suas operações.

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