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Brasil

Mais de 40% das indústrias migraram para o mercado livre de energia

Levantamento da CNI mostra avanço após abertura do setor e indica que maioria das empresas que migraram registrou redução na conta de luz

30/07/2026 09:16
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Mais de 40% das indústrias migraram para o mercado livre de energia em 2 anos, aponta CNI

Um movimento acelerado de migração para o mercado livre de energia tem ganhado força entre as indústrias brasileiras nos últimos dois anos.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quinta-feira (30/7), mostra que 41% das empresas migraram para esse mercado desde 2024, quando novas regras ampliaram o acesso ao ambiente de contratação livre.

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A principal motivação tem sido o custo, informou a confederação. Entre as empresas que fizeram a mudança, 73% afirmaram ter registrado redução na conta de luz.

O tema aparece como uma das maiores preocupações do setor. Para 83% dos industriais, o preço da energia é fator determinante para a competitividade, enquanto 67% dizem que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.

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Os dados fazem parte da Sondagem Especial Indústria e Energia 2026. O levantamento também indica que a migração para o mercado livre é a principal estratégia adotada pelas empresas para aliviar despesas, opção citada por 30% dos entrevistados.

Entre as indústrias atendidas em baixa tensão que ainda permanecem no mercado cativo, 37% demonstram intenção de migrar. Isso indica espaço para expansão do modelo, especialmente entre empresas de menor porte.

Competitividade da indústria

Segundo o levantamento, o mercado livre concentra a maior parte das grandes indústrias e 63% das empresas de alta tensão compram energia nesse ambiente. Entre as pequenas, a participação ainda é menor, com 22%, enquanto 45% seguem no mercado regulado.

Para o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira, a pesquisa mostra a importância do custo da energia para a competitividade da indústria.

“Além disso, precisamos melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, disse.

A pressão sobre os custos ocorre em um cenário de instabilidade no setor elétrico, influenciado pela demanda global e por tensões geopolíticas.

Nos últimos 12 meses, 62% das indústrias relataram impacto das variações no preço da energia. Para 3%, o aumento foi considerado alto, acima de 30%; para 20%, médio, acima de 10%; e para 39%, baixo, com reajustes inferiores a 10%.

Quase duas em cada três empresas adotaram alguma medida para reduzir gastos com energia. Além da migração para o mercado livre, iniciativas como autogeração e eficiência energética aparecem, mas ainda com menor peso, citadas por 13% das indústrias. Por outro lado, 28% afirmaram não ter tomado nenhuma ação.

Setores

O setor de calçados lidera a migração para o mercado livre, com 47% das empresas. Já a indústria de produtos de borracha combina estratégias, com maior presença tanto em autogeração quanto na contratação livre. No caso de equipamentos de informática e eletrônicos, o foco maior tem sido eficiência energética.

Para a CNI, o avanço do mercado livre reflete a busca das empresas por previsibilidade e redução de custos em um ambiente de tarifas pressionadas. A entidade também defende mudanças no modelo tarifário, como a adoção de preços mais dinâmicos e a revisão de subsídios que encarecem a conta de energia.

A sondagem foi realizada em abril com 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.