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Coluna Blog do Noblat
Blog do Noblat - 22 anos

Ricardo Nunes, o prefeito de Flávio

Contratos, aliados em cargos estratégicos e atuação eleitoral colocam Nunes na linha de frente do bolsonarismo

29/10/2026 11:55
Divulgação/Assessoria
Flávio e Nunes na Marcha para Jesus

Ricardo Nunes (MDB) não é considerado um bolsonarista raiz, mas sua gestão à frente da Prefeitura de São Paulo acumula alianças, contratos e vínculos com personagens associados ao clã. Na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), o prefeito também assumiu papel ativo na articulação de apoios no estado, incluindo a mobilização de prefeitos da Região Metropolitana.

A relação próxima começa pela chapa. Na eleição municipal de 2024, Nunes aceitou o coronel da reserva Ricardo Mello Araújo (PL), indicado por Jair Bolsonaro para a vice-prefeitura. Em abril de 2025, o prefeito discursou em um ato contra o STF na Avenida Paulista e foi tratado como anfitrião por organizadores.

Reportagem do The Intercept Brasil revelou outro elo controverso: contratos que somam R$ 108 milhões entre a prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), para instalação de pontos de Wi-Fi. A presidente da entidade, Karina Ferreira da Gama, também é proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público paulista. Nunes negou irregularidades e classificou as apurações como perseguição política.

A prefeitura também contratou, sem licitação, o Instituto Iter, fundado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, indicado por Bolsonaro. Os contratos divulgados pela imprensa variam de R$ 183 mil a R$ 380 mil.

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Ainda, como vereador, Ricardo Nunes foi um dos articuladores da retirada de menções a “gênero” e “orientação sexual” do Plano Municipal de Educação (PME) e defendia o “Escola sem Partido)

Agora, Nunes enfrenta uma nova frente de desgaste. A Câmara Municipal instalou uma comissão especial para analisar o pedido de impeachment apresentado por vereadores do PSOL. A denúncia aponta possível descumprimento de ordem judicial sobre a circulação integral dos ônibus no segundo turno e suspeita de pressão sobre servidores comissionados para participar de atividades eleitorais. A comissão tem dez dias para emitir parecer. A abertura de um processo de impeachment ainda depende de decisão da Câmara.