
Você consegue imaginar Flávio Bolsonaro eleito presidente?
Pela primeira vez na história, um defensor de milicianos e investigado por corrupção está prestes a subir a rampa e desenhar o futuro do STF

Negue. Negue tudo o que possa prejudicá-lo. Negue até mesmo o que você acabou de dizer ou escreveu outro dia. Valha-se, para isso, de qualquer desculpa — seja ela convincente ou inverossímil — ou de nenhuma. E siga em frente, sem se deixar abater.
O que importa é alcançar o seu objetivo. Uma vez alcançado, o passado incômodo vira pó e as pessoas, salvo raras exceções, desistem de relembrá-lo.
Memória duradoura só existe em celulares e nas nuvens. Políticos sábios de antigamente não falavam nada de sério ao telefone; era só olho no olho.
Veja a tremenda confusão em que se meteu Flávio Bolsonaro, aquele que nada aprendeu e nada esqueceu. Na condição de candidato a presidente da República, é natural que seja gravado tudo o que diz ou disse. E ele costuma dizer coisas das quais se arrepende depois.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa sabatina da TV Globo, ao ser interrogado sobre o projeto que apoia para acabar com a rastreabilidade das munições usadas por policiais, ele respondeu tratar-se de um mero “detalhezinho”.
Sem a marcação nas munições, grande parte dos homicídios não seria esclarecida. O da vereadora Marielle Franco talvez não fosse. Certamente não teria sido o da juíza Patrícia Acioli, assassinada em Niterói com 21 tiros.
O crime organizado agradece a Flávio o que ele chama de “detalhezinho”. Por sinal, as facções vivem em débito com ele e com seu pai, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado. Os fabricantes de armas também.
No governo de Jair Bolsonaro, 17 decretos, 19 portarias, duas resoluções e três instruções normativas foram assinados para flexibilizar o acesso a armas e munições, segundo o Instituto Sou da Paz. Resultado: em dois anos, o número de armas particulares atingiu a marca de uma para cada 100 brasileiros.
Matadores de aluguel igualmente são gratos a Jair e aos seus filhos. No caso de Flávio, por suas relações próximas e amigáveis com eles, e por sua presteza em ajudá-los ao empregar seus familiares na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Pela primeira vez na história do Brasil, um investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de evasão de divisas, corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro está perto de se eleger presidente.
Também pela primeira vez, um defensor de milicianos poderá subir a rampa do Palácio do Planalto e nomear quatro ministros da mais alta Corte de Justiça do país. Que tal? Se a ideia lhe agrada, vote nele. Se não, ainda dá tempo de derrotá-lo.

