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Quem puxa aos seus não degenera: o destino dos Bolsonaro

Seguindo o exemplo do pai, Eduardo produz as provas que o condenaram e destruíram seus planos eleitorais em São Paulo

18/06/2026 05:30
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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Deputado Eduardo Bolsonaro PL-SP é entrevistado no estúdio Metrópoles

Ora, ora, vejam só: Eduardo, o mais jovem dos três filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão e inelegível pelos próximos oito anos, encontrou a quem culpar por isso: o governo do presidente Donald Trump.

Sim, pode acreditar. Ele deixou isso claro nas entrelinhas da mensagem postada em suas redes sociais e dirigida a Trump, a Marco Rubio, secretário de Estado, e a Scott Bessent, secretário do Tesouro. Logo de início, Eduardo reclama de quem aconselhou os três a suspender as sanções aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes, afirmando que isso, no mínimo, “foi um erro grave”.

Em seguida, o ex-parlamentar os adverte: “Moraes está esperando o retorno de uma administração democrata radical nos Estados Unidos para que, juntos, possam fazer com você o que estão fazendo comigo hoje”. Coitadinho. O “você”, no caso, deve ser Trump, o primeiro citado na mensagem.

Eduardo continua empenhado em jogar Trump contra a Justiça brasileira: “Considere a ousadia de suas acusações: eles alegam que cometi um crime ao me envolver com autoridades do governo americano. Tal alegação trata efetivamente a própria administração Trump como se fosse uma organização criminosa. Eles desprezam a liberdade. Eles se opõem aos valores representados pela sua administração. E eles abrigam a mesma hostilidade em relação a você”. Por fim, ele afirma: “A história mostrou repetidamente que aqueles dispostos a silenciar seus adversários políticos dentro de seus próprios países não hesitarão em mirar qualquer um no exterior que se levante em defesa da liberdade.”

Parêntese: suponho que, por falta do que fazer, Trump e seus secretários devem ter ficado impactados com as considerações feitas por Eduardo. Quem sabe, em breve, não sairão em socorro dele? Parêntese fechado. Adiante.

Eduardo foi condenado pelo crime de coação no curso do processo, ao tentar interferir no julgamento de seu pai e dos demais envolvidos nos atos do dia 8 de janeiro de 2023. As provas e evidências examinadas e acolhidas pelo STF foram fornecidas pelo próprio Eduardo: suas ações junto ao governo americano e suas mensagens postadas nas plataformas digitais. Tal pai, tal filho. O pai também produziu provas que o condenaram a 27 anos e três meses de prisão.

Com a decisão do STF, foi para o espaço o plano de Eduardo de disputar a campanha deste ano como candidato a suplente de senador pelo estado de São Paulo. A Lei da Ficha Limpa proíbe que condenados criminalmente por órgãos colegiados — como as turmas do Supremo — concorram nas eleições. Em 2018, preso em Curitiba, Lula imaginou que poderia concorrer mesmo assim. Como não pôde, indicou Fernando Haddad, que acabou perdendo para Bolsonaro.

Na Justiça ou nas urnas, falta definir a sorte de Flávio, rebatizado por Trump de Bolsonaro Júnior, parceiro e irmão do ex-banqueiro master Daniel Vorcaro.

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