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Em 15 de março de 1985, ao deixar o Palácio do Planalto pela porta dos fundos por recusar-se a transferir a faixa presidencial a José Sarney, João Figueiredo, o último dos generais da ditadura de 64, pediu aos brasileiros que o esquecessem. Foi atendido.
Jair Bolsonaro sairá pela mesma porta e por motivo semelhante – recusa-se a transferir a faixa a Lula que o derrotou. Mas ao contrário do general, não pedirá para ser esquecido. Então, deseja ser lembrado pelo quê? Por seu último gesto no cargo?
Em 2020, mal seu governo completou um ano, a pandemia da Covid-19 começou a matar no Brasil. Mataria mais de 690 mil pessoas. O que ele fez? Sabotou as medidas de isolamento adotadas em todo o mundo; o importante seria salvar a economia.
Que morressem os que tivessem de morrer. Receitou cloroquina, droga ineficaz contra o vírus. Não se vacinou porque julgava que seria um mal exemplo. Retardou a compra de vacinas até para crianças. E imitou um paciente morrendo por falta de oxigênio.
Quer queira ou não, será lembrado por isso, mas não só. Ele que sempre disse que não assinaria indultos de Natal, assinou um, ontem, concedendo perdão aos policiais militares condenados pelo massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, em São Paulo.
No dia 2 de outubro daquele ano, para conter uma rebelião na Casa de Detenção da capital paulista, uma tropa da Polícia Militar invadiu-a e matou 111 presos. O indulto era uma das últimas esperanças que restavam aos 74 policiais condenados.
Bolsonaro será lembrado como o presidente que desprezou a vida e cultuou a morte.


