Os laços de Flávio Bolsonaro com o submundo do crime no Rio

Os laços de Flávio Bolsonaro com o submundo do crime no Rio

atualizado

Compartilhar notícia

flavio-bolsonaro
1 de 1 flavio-bolsonaro - Foto: null

Outubro de 2003. Flávio Bolsonaro, então deputado estadual no Rio de Janeiro, concedeu a primeira Moção de Louvor ao então tenente da Polícia Militar Adriano Magalhães da Nóbrega, por sua atuação no combate à criminalidade. Em junho de 2005, Flávio propôs e entregou pessoalmente a Adriano a Medalha Tiradentes, a maior honraria do Estado. Na ocasião, o oficial estava preso preventivamente no Batalhão Especial Prisional, aguardando julgamento por homicídio, do qual foi absolvido anos depois. Mais tarde, Adriano seria apontado como chefe da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio “Escritório do Crime”. Flávio empregou a mãe e a mulher de Adriano em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o miliciano ficava com parte dos valores arrecadados pelo então deputado estadual em um esquema de “rachadinha” gerenciado por Fabrício Queiroz, policial militar e ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro.

Março de 2004. Flávio apresentou na Alerj uma Moção de Louvor ao então major Ronald Paulo Alves Pereira por seus serviços na área de segurança pública. A homenagem ocorreu apenas três meses após uma chacina que deixou cinco jovens mortos na Baixada Fluminense, crime pelo qual Ronald já estava sob investigação velada e pelo qual viria a ser condenado pela Justiça anos depois, além de ser apontado como um dos líderes da milícia de Rio das Pedras.

2004. Flávio outorgou uma Moção de Louvor ao tenente-coronel Claudio Luiz de Oliveira por sua atuação operacional na liderança de batalhões da Polícia Militar. Anos depois, o oficial foi preso e condenado a 36 anos de reclusão como o mandante intelectual do assassinato da juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros em 2011 por sua atuação firme no combate a milícias.

2004. Flávio Bolsonaro propôs e aprovou uma Moção de Louvor ao militar da reserva Lício Maciel, homenageando-o especificamente por suas ações nos anos 1970 no combate à Guerrilha do Araguaia, no sul do Pará. Ao conceder a honraria, Flávio exaltou a atuação histórica do militar, que anos mais tarde viria a ser formalmente denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por sequestro e ocultação de cadáveres cometidos durante a ditadura militar de 1964.

2005. Flávio concedeu uma Moção de Louvor a Hélio Machado da Conceição, policial militar que atuava no patrulhamento da Zona Oeste do Rio. Cerca de nove anos após receber a condecoração, o agente foi expulso da corporação devido a investigações que comprovaram seu envolvimento com a máfia dos caça-níqueis e com a formação de milícia na região.

2005. Flávio concedeu uma Moção de Louvor ao major Maycon Macedo de Carvalho, da Polícia Militar. Décadas depois da homenagem, o major tornou-se réu perante a Justiça Militar sob as acusações de corrupção passiva, participação em organização criminosa armada e fraude em licitações.

2006. Flávio homenageou o policial militar Alan Rodrigues de Oliveira com uma Moção de Louvor, justificando a honraria com base em serviços prestados na segurança pública. Alan e seu irmão gêmeo Alex atuavam na segurança de eventos políticos promovidos por Flávio e, em 2017, foram presos por integrar uma rede de policiais que extorquia comerciantes na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro.

2006. Flávio registrou nos anais da Alerj uma Moção de Louvor em nome do tenente-coronel Arlei Balbino por seus serviços no patrulhamento urbano. Posteriormente, o oficial respondeu a uma ação civil pública como réu por improbidade administrativa.

2007. Flávio outorgou uma Moção de Louvor ao major Edson Alexandre Pinto de Góes por suas atividades em batalhões de Operações Especiais da Polícia Militar. Anos depois, o oficial foi alvo de investigações financeiras e acabou condenado a cinco anos de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro e ocultação de bens de origem ilícita.

2008. Mais uma Moção de Louvor foi concedida por Flávio, desta vez ao major Edson Raimundo dos Santos, destacando sua liderança e competência na Polícia Militar. Cinco anos após a homenagem, Edson comandou a UPP da Rocinha durante a tortura, morte e desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, crime que resultou na condenação do oficial a mais de 13 anos de prisão.

 

Todas as colunas do Blog do Noblat no Metrópoles

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações