O que se avizinha será o maior desafio que Lula já enfrentou

A frente única da mídia

atualizado

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Marcelo Câmara/Agência Brasil
Lula presidente
1 de 1 Lula presidente - Foto: Marcelo Câmara/Agência Brasil

A que se deve o desamor por Lula da quase totalidade da mídia brasileira? Desamor não é o caso. Má vontade, tampouco. O mais certo seria perguntar: por que ela, a mídia, é tão hostil a Lula?

Talvez porque seus donos se julguem superiores a ele, um filho de família humilde quando saiu do Nordeste em um caminhão e foi morar com a mãe e os irmãos na periferia de São Paulo.

Talvez porque Lula, mesmo quando eleito presidente pela primeira vez, falava mal o idioma. Jânio Quadros, que em 1961 se elegeu presidente, falava um português impecável.  E deu no que deu.

Talvez porque Lula, fiel às suas origens, tenha sido o principal responsável pela inclusão dos pobres na agenda nacional e até hoje peleje por eles. É um homem que tem lado e não esconde.

A rigor, os donos da mídia sempre tiveram lado. Mas esse lado era o da força. Curvaram-se a Getúlio Vargas enquanto ele era ditador. A ele se opuseram no início dos anos 1950 como presidente eleito.

Apoiaram a ditadura militar até que ela começou a dar sinais de esgotamento. Apoiaram Fernando Collor porque ele teria chances de derrotar Lula e Brizola. Collor era um embuste e eles sabiam.

Em 1994 e em 1998, apoiaram Fernando Henrique Cardoso contra Lula. Em 2002 e em 2006, José Serra e Geraldo Alckmin contra Lula. Em 2010 e em 2014,  Serra e Aécio Neves contra Dilma.

Bolsonaro dispensou o apoio da mídia para se eleger em 2018. E não o teve para se reeleger em 2022. Também, pudera. Ele tratou a mídia a pontapés e revelou-se o pior presidente da história.

A Lava-Jato ofereceu à mídia a oportunidade de se livrar definitivamente de Lula. E ela a aproveitou para demonizar a política como um todo, como se houvesse solução fora da política.

Os senhores da mídia não engolem o fim da Lava-Jato, e a decisão da justiça de libertar Lula e de considerar Sérgio Moro um juiz parcial. Igualmente, não engolem a mais recente eleição de Lula

É por isso que estão unidos na busca por um candidato capaz de impedir a eventual reeleição de Lula no próximo ano. Não importa que o candidato guarde traços de Bolsonaro.

Se para Lula a eleição de 2022 foi muito dura de ser vencida, e por poucos votos ele não a perdeu, a de 2026 promete ser cruel.

 

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