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O que aguarda Pazuello quando for depor à CPI da Covid

Ninguém escreve ao general, nem o poupará de embaraços quando tiver de falar sobre os erros cometidos pelo governo contra a pandemia

atualizado

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Igo Estrela/ Metrópoles
Quadros ministros na saude
1 de 1 Quadros ministros na saude - Foto: Igo Estrela/ Metrópoles

Encerrada a sessão de ontem da CPI da Covid-19, mesmo os senadores, liderados por Renan Calheiros (MDB-AL), o relator, que pediram a prisão de Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social do governo Bolsonaro, admitiram entre si e aos cochichos que fez bem Omar Aziz (PSD-AM), presidente da comissão, em não autorizá-la.

Foi mais jogo de cena para dar uma satisfação ao distinto público aqui de fora revoltado com a avalanche de mentiras ditas por Wajngarten e o cinismo com que as disse. O ex-secretário não passa de um bagrinho nessa trama toda. Demitido do governo, quis ganhar uma importância que nunca teve e credenciar-se – quem sabe? – a arranjar outra boca no governo.

Como observou Aziz, Wajngarten só foi convocado a depor pelo que havia revelado em entrevista à Veja, e depois negou à CPI, e acabou desmentido pelo áudio de sua conversa com o jornalista Policarpo Júnior, divulgado pela revista a tempo e a hora. O barulho em torno da prisão que não se consumou serviu, porém, para prevenir aos futuros depoentes que mentira pode dar cadeia.

Recado dado principalmente ao general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, a estrela a ser ouvida na próxima semana, e também ao cardiologista Marcelo Queiroga, atual ministro, que voltará a depor por ter mentido tanto ou mais do que Wajngarten, e sonegado informações à CPI. Pazuello só irá depor protegido por uma ordem judicial que o isente de responder ao que não quer.

Nunca antes na história deste país um general da ativa se viu em tal situação. O aperto experimentado por Wajngarten será semelhante ou menor do que o aperto a ser aplicado em quem muito sabe, mas não quer contar. Os comandantes militares apartaram-se de Pazuello que não escutou o conselho dos seus companheiros de despir a farda antes de virar ministro.

O governo continua fingindo estar preocupado com a sorte do general, mas torce para que ele fique como principal culpado pelos erros cometidos no frouxo combate à pandemia. O tratamento que a maioria dos integrantes da CPI reserva a Pazuello será de respeito e comiseração, mas não de complacência, muito menos de cumplicidade. Quem vai para a chuva tem de se molhar.

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