O pecado capital de Sóstenes, líder da extrema-direita na Câmara

Muito ainda está por vir

atualizado

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Hugo Barreto/Metrópoles
O líder do PL na Câmara dos Deputados, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), concede coletiva de imprensa no Salão Verde da Câmara
1 de 1 O líder do PL na Câmara dos Deputados, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), concede coletiva de imprensa no Salão Verde da Câmara - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

“Dinheiro na mão é vendaval” é uma expressão portuguesa que significa que o dinheiro é efêmero e pode desaparecer tão rapidamente como chega, se não for gerido com cuidado. Realça a facilidade com que o dinheiro pode ser gasto ou perdido.

Paulinho da Viola eternizou a expressão na música composta em apenas um dia de 1975 para a novela “Pecado Capital”, da TV Globo. Diz a letra do samba-canção:

“Dinheiro na mão é vendaval

É vendaval!

Na vida de um sonhador

De um sonhador!

Quanta gente aí se engana

E cai da cama

Com toda a ilusão que sonhou

E a grandeza se desfaz

Quando a solidão é mais

Alguém já falou…”

Sóstenes Cavalcanti (RJ), líder do PL na Câmara, quase caiu da cama quando agentes federais bateram ontem à porta do seu apartamento em Brasília para depois saírem de lá com 430 mil reais, em dinheiro vivo, encontrados dentro de um guarda-roupa.

Um vendaval abateu-se sobre a vida do pastor que prega fidelidade aos desígnios de Deus e de Bolsonaro, e tão cedo se dissipará. De onde veio tanto dinheiro? Por que guardar em casa, e sujeito a roubo, tremenda fortuna? Por que não a depositou em um banco?

Atordoado, Sóstenes ensaiou respostas pouco convincentes, algumas retiradas de um papel que lhe deu um assessor. O dinheiro foi fruto da venda de um imóvel em Minas Gerais, embora Sóstenes more no Rio e passe a semana em Brasília.

Que tipo de imóvel? Ele não disse. Em que município de Minas fica o imóvel? Ele tampouco disse, por não se lembrar. A quem ele vendeu o imóvel? Sóstenes não respondeu. Limitou-se a repetir que é um perseguido político porque defende ideias conservadoras.

Quanto a ter preferido guardar o dinheiro em casa ao invés de depositá-lo em um banco, Sóstenes atribuiu ao fato de que é um homem muito ocupado, sem tempo para nada. Foi “um lapso”, desculpou-se. Um lapso que lhe custará caro.

Por fim, espalhou uma cortina de fumaça ao citar Lulinha, o filho mais velho de Lula, que poderia estar metido no escândalo de desvio de dinheiro do INSS, e a mulher do ministro Alexandre de Moraes que teria advogado para o extinto Banco Master.

O que Lulinha e a advogada têm a ver com a desventura de Sóstenes? Nada. Moraes não é juiz do caso Master. Sua mulher pode advogar para quem quiser e cobrar quanto queira. Lulinha ainda não foi chamado para depor em parte alguma.

Além de Sóstenes, a Operação Galho Fraco teve também como alvo o deputado Carlos Jordy (PL-RJ). Ela tem como objetivo aprofundar investigações que decorrem há um ano sobre o desvio de recursos públicos oriundos de cotas parlamentares.

Segundo Flávio Dino, ministro do Supremo, há provas da ocorrência de lavagem de dinheiro em função do fracionamento de saques e depósitos não superiores ao valor de R$ 9.999 – prática conhecida como “smurfing” e adotada para evitar alertas automáticos do sistema financeiro.

Há suspeita do uso da cota parlamentar para custear despesas consideradas “inexistentes”; conversas de WhatsApp que tratam de pagamentos “por fora”; utilização de “empresas de fachada”; e “elevadas” movimentações financeiras “sem origem dos recursos” rastreadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Em 2022, Sóstenes declarou à Justiça Eleitoral que tinha em seu nome apenas 4,9 mil reais em duas contas correntes: uma com 4,3 mil, a outra com cerca de 600. Melhorou de vida desde então. A política opera milagres.

 

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