
Parintins show city só precisa de parceiros (por Roberto Caminha)
Parintins é a nossa alternativa Disney. Vivas ao Garantido! Vivas ao Caprichoso!

Em uma boa parte do Brasil ainda discutimos como repartir riquezas mas existe uma pequena ilha amazônica, repleta de brasileirinhos, europeus, japoneses, vietnamitas, chineses, americanos e andinos, que ensina, silenciosamente, como criar riqueza.
Seu nome é Parintins.
Naquela Escola Mágica, no meio da floresta encantada, não existem minas de tantalita. Nada jorra de poços, a não ser água. Não há siderúrgicas nem montadoras de automóveis. Mesmo assim, essa cidadezinha de pouco mais de noventa mil habitantes criou um inimaginável festival: em apenas três noites, movimenta cerca de R$ 193 milhões, gera mais de cinquenta mil empregos diretos e indiretos na região e recebe aproximadamente 126 mil visitantes. É comum ouvirmos:
-Dessa vez a Ilha vai afundar!
Isso não é apenas folclore. Isso é economia.
Todos os anos, o Festival Folclórico de Parintins, transforma o Bumbódromo em um dos maiores palcos culturais do planeta. Milhões de brasileiros, sul americanos, japoneses, suecos e americanos que já nos visitaram, acompanham pela televisão e pela internet um espetáculo onde música, teatro, dança, engenharia, cenografia, iluminação, tecnologia, artes plásticas e emoção trabalham em perfeita harmonia.
Mas existe um detalhe que poucos enxergam. Quando termina a última apresentação, as luzes se apagam, os turistas voltam para casa e as câmeras procuram outro assunto. O talento, essa coisa que ninguém ousa medir, permanece.
É justamente por isso que Parintins não precisa de pena. Precisa de parceiros. Quem observa apenas os bois perde a verdadeira riqueza da ilha. Ela está nas mãos calejadas dos escultores. Na precisão dos soldadores. Na criatividade dos cenógrafos. Na sensibilidade das costureiras. Na genialidade dos músicos. Na dedicação dos coreógrafos. Na inteligência dos eletricistas, marceneiros, iluminadores, pintores, figurinistas, aderecistas e artesãos.
Nenhuma inteligência artificial consegue substituir essa combinação mágica de técnica, tradição e sensibilidade construída ao longo de gerações. Ali existe uma verdadeira indústria da emoção.
O Amazonas deu um passo importante nessa direção quando decidiu levar o ensino superior para o interior com a criação da Universidade do Estado do Amazonas. A interiorização da educação mostrou que talento não é privilégio das capitais. O conhecimento floresce onde encontra oportunidade.
Parintins respondeu à altura.
A universidade forma talentos. O Festival os revela.
Agora chegou a hora de transformar talentos em empresas, empregos permanentes, tecnologia, turismo, exportação de serviços e inovação.
Imaginem uma Escola Internacional de Cenografia da Amazônia. Um centro de formação de iluminadores e técnicos de espetáculos. Laboratórios de design inspirados na floresta. Produtoras de cinema utilizando profissionais formados em Parintins. Parece ousado? Talvez. Mas também parecia ousado acreditar que uma ilha amazônica encantaria milhões de pessoas todos os anos.
O Brasil e o mundo costumam olhar para a Amazônia procurando madeira, minérios, petróleo, gás ou biodiversidade. Tudo isso é importante. Mas existe um patrimônio ainda mais valioso: as pessoas.
O maior ativo econômico da Amazônia não está escondido sob a floresta. Está na inteligência do seu povo.
Está na criatividade de quem transforma madeira em arte, tecido em poesia, música em identidade e tradição em desenvolvimento.
Todos os fãs do festival têm um sonho: que Parintins deixe de ser conhecida apenas pelas três noites mágicas de junho e passe a ser reconhecida pelos trezentos e sessenta e cinco dias em que produz conhecimento, inovação, cultura, turismo, pesquisa e prosperidade.
Que nasça um grande Projeto Parintins 365.
Criemos, urgentemente, um pacto entre universidades, empresas, bancos de desenvolvimento, centros de pesquisa, setor público, investidores, artistas e empreendedores para transformar a Ilha da Magia, na maior referência brasileira em economia criativa da floresta.
Seria um projeto para o Amazonas, acima de tudo, seria um projeto para o Brasil.
Hoje, as nações mais admiradas não são apenas aquelas que extraem riquezas da terra. São aquelas que conseguem transformar inteligência em prosperidade. Parintins já faz isso. Falta apenas que o Brasil perceba.
Os bois Garantido e Caprichoso já cumpriram uma missão histórica. Eles apresentaram a Amazônia ao planeta por meio da arte, da beleza e da emoção. Agora cabe a todos nós cumprir a próxima etapa.
Não oferecer “Peninha e Dó” mas construir parcerias.
Porque investir em Parintins não significa financiar três noites de espetáculo. Significa acreditar que a criatividade pode ser uma política de desenvolvimento. Significa compreender que cultura também produz emprego, renda, inovação e autoestima. Significa apostar naquilo que nenhuma crise econômica consegue destruir: o talento humano. Parintins é a nossa alternativa Disney.
O nosso sonho é que, daqui a vinte anos, quando alguém perguntar onde fica o maior polo de economia criativa da floresta tropical do planeta, a resposta venha naturalmente de muitas bocas:
-Fica em Parintins! Na ilha que ensinou ao Brasil que a maior riqueza da Amazônia nunca esteve escondida debaixo da terra. Sempre esteve pisando e voando sobre ela.
Roberto Caminha Filho, economista, é muito fã da genialidade parintinense.
