Governo de Lula só começa para valer depois das eleições desta semana

Voto secreto é sempre uma fonte de surpresas

atualizado

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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Presidentes Pacheco e Arthur Lira se abraçam durante Abertura do ano legislativo no Congresso Nacional
1 de 1 Presidentes Pacheco e Arthur Lira se abraçam durante Abertura do ano legislativo no Congresso Nacional - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O domingo que antecedeu as eleições de quarta-feira para presidentes da Câmara e do Senado foi de muitas reuniões sigilosas em casas e apartamentos de Brasília e de troca de longos telefonemas.

É fatura liquidada a reeleição de Arthur Lira (PP-AL) na Câmara, e praticamente certa a de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) no Senado. Mas o voto secreto é uma fonte inesgotável de surpresas.

O Orçamento Secreto, que Lira soube administrar tão bem nos últimos dois anos, deverá fazer do escrutínio na Câmara o que nunca se viu antes: uma espécie de eleição por aclamação.

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) enfrentará Lira para marcar posição. Ali, disputa de verdade só existirá para a ocupação de determinados cargos na Mesa da Câmara.

Emoção, se houver alguma, estará reservada para o embate a ser travado entre Pacheco e Rogério Marinho (PL-RN), o candidato bolsonarista à presidência do Senado.

São 81 os senadores. Se todos comparecerem e votarem em um dos candidatos, elege-se o que obtiver 41 ou mais votos. Na eleição de 2019, um senador votou duas vezes. Nunca se soube quem foi.

No QG das candidaturas de Pacheco e Marinho, admite-se que um grupo de 10 a 15 senadores poderá mudar de lado até o último momento. A ser verdade, a traição é que decidirá quem será eleito.

“O voto secreto dá uma vontade danada de trair”, disse certa vez Tancredo Neves, que se elegeu presidente da República em 1985 pelo MDB. Traído pela saúde, morreu sem tomar posse.

Para Lira, a reeleição de Pacheco não o incomoda, mas a de Marinho seria melhor. O presidente do Senado é quem preside o Congresso. Lira e Marinho apoiaram Bolsonaro, que os apoiou.

Lula está conformado com a reeleição de Lira, mas no Senado apoia a de Pacheco. No Senado, por exemplo, há projetos que reduzem os poderes do Supremo Tribunal Federal.

Um desses projetos estabelece mandato de 7 ou 8 anos para ministros do Supremo. Hoje, um ministro só se aposenta obrigatoriamente quando completa 75 anos de idade.

Depende do Senado a aprovação de nomes indicados pelo presidente da República para tribunais superiores. Este ano, Lula indicará os substitutos de Ricardo Lewandowski e de Rosa Weber.

Cabe também ao Senado votar a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo e do Tribunal Superior Eleitoral. É por isso que Bolsonaro quer eleger Marinho.

Nos seus primeiros 30 dias, o governo Lula sobreviveu a uma tentativa de golpe de Estado. Começará para valer só quando as novas direções da Câmara e do Senado forem eleitas.

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