Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Foto de Blog do Noblat
Coluna Blog do Noblat
Blog do Noblat - 22 anos

Flávio Bolsonaro foge da raia para escapar aos ataques de Renan Santos

Globo cancela debate alegando "insegurança jurídica"

02/10/2026 04:30, atualizado 02/10/2026 04:32
Samuel Pancher/Metrópoles
Flávio Bolsonaro - Metrópoles

Entra eleição, sai eleição, e a TV Globo não aprende, nem renuncia à pretensão de tentar influir nos resultados. Às vezes se dá bem; às vezes, mal. Deu-se bem na primeira eleição presidencial da história após o fim da ditadura militar, em 1989, quando apoiou abertamente a candidatura de Fernando Collor para evitar uma vitória de Lula ou de Leonel Brizola. Collor elegeu-se, mas, dois anos mais tarde, o Congresso Nacional cassou seu mandato sob acusações de corrupção.

Nas duas eleições seguintes (1994 e 1998), a emissora apoiou Fernando Henrique Cardoso — o idealizador do Plano Real, que controlou a inflação — novamente com o intuito de derrotar Lula. Como não interessava ao seu candidato participar de debates no primeiro turno, a Globo simplesmente não os promoveu.

Em 2002, o candidato respaldado pela emissora foi José Serra. Os debates retornaram, mas Lula acabou eleito. O petista reelegeu-se em 2006 contra Geraldo Alckmin, o novo escolhido da Globo, mesmo sem comparecer aos debates do primeiro turno por opção própria. A emissora também saiu derrotada nas duas eleições seguintes (2010 e 2014), vencidas por Dilma Rousseff. Nessas ocasiões, o canal apoiou José Serra, mais uma vez, e Aécio Neves.

Com Lula preso em 2018, Fernando Haddad assumiu a candidatura do PT. Diante de Alckmin outra vez  no páreo, restou à Globo apoiá-lo. O eleito, contudo, foi Jair Bolsonaro, após o episódio da facada em Juiz de Fora. Devido à forma hostil como o novo presidente tratou a emissora — e a imprensa em geral — ao longo de seu mandato, a Globo viu-se na posição de ter que engolir o retorno de Lula ao poder em 2022. Os dois não se toleram.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

A esperança da Globo era a de que, neste ano, o candidato da direita à Presidência fosse Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo. Como não foi, esperava-se que surgisse outro nome capaz de se impor como alternativa a Lula e a Flávio Bolsonaro. Não surgiu, como ficou demonstrado por todas as pesquisas de intenção de voto realizadas até aqui.

É nesse vácuo de alternativas que se desenha uma aparente contradição: a emissora historicamente atacada pelo bolsonarismo vê-se agora empurrada ao pragmatismo de mercado. Sem uma terceira via viável e diante de um PT refratário às suas pressões históricas, o canal calcula seus danos econômicos e editoriais. Face a isso, o mais fácil de lidar e o mais sensível aos interesses corporativos da empresa talvez seja, ironicamente, Flávio. Certamente não será Lula.

Uma indicação a respeito foi dada com o episódio do cancelamento do debate. Lula avisou que não iria. Para comparecer, Flávio exigiu que Renan Santos fosse excluído, e a Globo concordou. Tão logo Flávio soube que Renan estaria presente por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, o candidato do pai — condenado e preso por tentativa de golpe de Estado — desistiu de ir. Dos demais concorrentes, Renan era o único que partiria para o confronto direto com ele.

A velocidade com que a engrenagem operou nos bastidores escancara o alinhamento de interesses. Enquanto Ronaldo Caiado aguardava pacientemente nos estúdios da emissora, Flávio Bolsonaro já havia sido alertado sobre a reviravolta jurídica, garantindo o tempo necessário para orquestrar sua saída estratégica. A Globo, por sua vez, demonstrou que o debate nunca foi sobre o debate, mas sim sobre o controle da narrativa e a audiência comercial: sem o principal nome da direita no púlpito para confrontar as decisões da Justiça, o encontro perdeu sua utilidade prática e foi sumariamente cancelado. Para completar o cenário de esvaziamento, àquela altura, Lula já reinava absoluto como entrevistado em um podcast concorrente.

A Globo usou a expressão “insegurança jurídica” na nota em que justificou o cancelamento do debate. Desde então, Flávio passou a falar em “insegurança jurídica” para justificar por que fugiu da raia. Fugiu com medo de ser atacado por Renan, uma vez que não seria pelos demais, todos eles inclinados a apoiá-lo em um possível segundo turno contra Lula.

Acesse todas as colunas do Blog do Noblat no Metrópoles