Flávio Bolsonaro e Valdemar batem cabeça sobre dinheiro de Vorcaro

Um porque mente como amador ao contrário do pai, e o outro por gostar de falar demais

atualizado

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LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Valdemar Costa Neto em entrevista ao Metrópoles
1 de 1 Valdemar Costa Neto em entrevista ao Metrópoles - Foto: LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

A conselho dos seus assessores, tão cedo Flávio Bolsonaro não participará de eventos que reúnam multidões, para não correr o risco de ser vaiado ou de ouvir desaforos. Foi por isso que ele faltou, no último sábado, à Marcha para Jesus realizada no Rio de Janeiro; a justificativa alegada foi a necessidade de visitar o pai, doente e preso em Brasília. Por enquanto, ele também evitará entrevistas em que possa correr o risco de ouvir perguntas embaraçosas. Declarações à imprensa, só em espaços amigáveis. E dê-se por feliz se as próximas pesquisas não registrarem novas quedas nos seus percentuais de intenção de voto para a presidência da República.

Mesmo quando treinado, Flávio esbarra em dificuldades para se expressar. Foi o que aconteceu na sua desastrosa entrevista à GloboNews, no último dia 14. Perguntaram-lhe por que sempre negou ter contatos com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Flávio saiu-se com esta:

— Eu não falei que era mentira. Tenho contrato de confidencialidade. Estou falando disso agora porque veio à tona, não tem mais como negar. […] Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores.

Perguntaram-lhe também por que o dinheiro doado por Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai foi parar num fundo gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Flávio respondeu:

— Eu não sei de detalhes. Esse advogado é gestor desse fundo […] é uma pessoa de confiança do Eduardo.

A repórter insistiu:

— Então o senhor não sabe o destino?

Flávio calou-se. Coitado… Até para mentir não passa de um amador. O pai mentia com mais arte e parecia não se incomodar em ser pego na mentira. Flávio, o Bolsonaro “que o Brasil queria ver”, como ele tanto disse, mente pouco à vontade — uma virtude, por certo.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido da família Bolsonaro, mente sem o menor apuro técnico e por falar demais. Flávio havia dito que Vorcaro doou dinheiro para o filme só porque ele pediu, e sem outras intenções. À GloboNews, Valdemar afirmou que Vorcaro financiou o filme para manter proximidade com Flávio, que poderá ser o próximo presidente. Que tal? Quer mais?

Flávio dissera que visitou Vorcaro, depois de ele ter sido preso pela primeira vez, para pôr “um ponto final” na relação entre os dois. Valdemar declarou que Flávio procurou Vorcaro para tentar obter o restante dos recursos prometidos para a conclusão do filme: “Foi visitar para ver se conseguia o restante do dinheiro”.

Quanto mais Flávio e Valdemar falam sobre isso, mais as coisas pioram. Ao sair do Brasil para um encontro não confirmado com o presidente Donald Trump, em Washington, Flávio espera extrair dividendos de sua própria ausência. Ledo engano. O turbilhão em que se meteu, por sua conta e risco, não tem data para acabar.

 

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