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Demissão de Juscelino pode destravar a reforma do governo Lula

Ou não, como diria Caetano Veloso

09/04/2025 05:30, atualizado 09/04/2025 07:11
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Breno Esaki/Especial Metrópoles
Presidente Lula e Juscelino Filho, ministro das comunicações e o presidente Lula - Metrópoles

Há 20 anos, estava pronta a reforma ministerial do governo Lula 1. Foi José Dirceu de Oliveira, então chefe da Casa Civil, quem a preparou sob a supervisão direta do próximo Lula. Haveria mais lugares para o MDB. A deputada Roseana Sarney, filha do ex-presidente José Sarney, aceitou  ser ministra.

Então de repente, não mais do que de repente, Lula cancelou a reforma. Por quê? Porque Lula sempre teve dificuldade de demitir amigos. Três vezes deputado federal pelo PT de São Paulo, Luiz, Gushiken era o chefe da Secretaria de Comunicação da presidência. Lula quis removê-lo dali em 2004.

Chegou a acenar para Gushiken com outro posto no governo. Gushiken respondeu:

“Não. Estou bem aqui.”

E ficou onde estava.

Aconteceu o mesmo com Olívio Dutra (PT), ex-governador do Rio Grande Sul, que ocupava o cargo de ministro das Cidades. Ao desconfiar de que poderia ser substituído, Dutra procurou Lula e disse:

“Eu não saio”.

E não saiu.

Wellington Dias (PT), senador e ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome,  procurou Lula há meses para dizer que jamais pensasse em tirá-lo do governo. Ex-governador do Piauí, Dias argumentou que tudo fizera no seu estado a mando de Lula e que não seria justo perder o ministério.

Segue ministro. Como segue ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação Luciana Santos, a primeira prefeita comunista do Brasil, em Olinda. Luciana é também presidente nacional do PC do Brasil, partido que sempre apoiou Lula. O PC do B ameaça romper com Lula caso Luciana seja expelida do governo.

Uma vez que Juscelino Filho (União-Brasil), até ontem ministro das Comunicações, demitiu-se porque a Procuradoria-Geral da República o denunciou por envolvimento com desvio de dinheiro público por meio de emendas ao Orçamento da União, espera-se que a reforma ministerial do Lula 3 acabe sendo destravada.

Tem muita gente sem querer sair e muita gente querendo entrar –  nenhuma novidade. O União-Brasil não abre mão da sua cota atual de ministros – três. Quer indicar o sucessor de Juscelino. O PSD de Gilberto Kassab, secretário do governador bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem um ministério e pede mais um.

A reforma ministerial começou em janeiro último com a nomeação do marqueteiro baiano de Sidônio Palmeira para a Secretaria de Comunicação da presidência, no lugar do deputado Paulo Pimenta (PT-RS). A deputada Gleisi Hoffmann (PT) saiu da presidência nacional do PT para ser ministra das Relações Institucionais.

A pesquisadora e cientista social Nísia Trindade Lima foi demitida por Lula do Ministério da Saúde, abrindo assim lugar para Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro das Relações Institucionais. A ver se a reforma irá em frente.

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