Bolsonaro não precisa ser preso para tornar-se um mártir porque já é

Desafio à justiça

atualizado

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foto colorida de Jair Bolsonaro chegando ao hospital Vila Nova Star, na zona sul de SP, para realização de exames de rotina - Metrópoles
1 de 1 foto colorida de Jair Bolsonaro chegando ao hospital Vila Nova Star, na zona sul de SP, para realização de exames de rotina - Metrópoles - Foto: Reprodução/CNN Brasil

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do inquérito que investiga os suspeitos de atentarem contra a democracia, tem um baita problema: como impedir que Bolsonaro fuja do país ou entre em uma embaixada e peça asilo, alegando ser um perseguido político?

A Polícia Federal não tem agentes em número suficiente para vigiar Bolsonaro 24 horas por dia. Tampouco a Agência Brasileira de Inteligência, embora essa disponha de um programa de espionagem capaz de localizar quem quer que seja e onde estiver. O programa continua ativo?

Ou não está ativo ou não prestaram atenção no que o programa mostrou nos dias em que Bolsonaro asilou-se na embaixada da Hungria. Embaixada é território inviolável. Enquanto permaneceu ali, Bolsonaro desfrutou da condição de asilado político, a salvo, portanto, da justiça brasileira.

Entrou acompanhado de seguranças com malas de roupa. Alojou-se em área reservada a convidados. Deu-se ao luxo de mandar buscar comida fora da embaixada. E recebeu a visita do seu filho 03, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Telefonou para quem quis e atendeu ligações à vontade.

Se quiser fugir para a Argentina, onde hoje governa Javier Milei, El Loco, Bolsonaro não precisa do passaporte que Moraes confiscou. Seria mais fácil do que parece, e não só para a Argentina. Se quiser entrar outra vez em uma embaixada e pedir asilo, também seria muito fácil.

Asilo só depende de quem possa concedê-lo, presidentes de República e chefes de Estado. É um instrumento unicamente à disposição deles, como é o instituto do perdão. O Supremo Tribunal Federal condenou o ex-deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) a uma pena pesada. Bolsonaro perdoou Silveira.

A ditadura de 64 negou refúgio a brasileiros perseguidos no Chile pela ditadura do general Augusto Pinochet. Sim, você leu certo: a embaixada brasileira em Santiago fechou as portas a brasileiros em perigo. Se não bastasse, mandou militares ensinarem técnicas de tortura a militares chilenos.

Os devotos de Bolsonaro aceitarão qualquer desculpa que ele ofereça para fugir. Há muito tempo que Bolsonaro constrói o discurso de que houve fraude na eleição de 2022, fraude avalizada por Moraes e seus pares, e que desde então Bolsonaro é perseguido; em breve, será preso e condenado.

Pouco importa que o discurso seja mentiroso, e que haja provas de que Bolsonaro planejou um golpe. As pessoas acreditam só no que querem. Mais da metade dos americanos acredita que roubaram de Donald Trump a reeleição. Quanto ao golpe estimulado por ele… Que golpe? Quando? Como?

Se Moraes não quer que Bolsonaro lhe escape, de duas uma: ou manda prendê-lo ou mete-lhe uma tornozeleira eletrônica. Ah, mas se o prender ele se tornará mártir, é o que dizem por aí para que ele permaneça solto. Bobagem! Para os bolsonaristas de raiz, Bolsonaro já é um mártir e sempre será.

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