Alô, alô, Flávio: quem com ferro fere com ferro será ferido. É do jogo

Um candidato com teto de vidro

atualizado

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LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
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Tal é a fragilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente da República que ele mal consegue suportar as primeiras estocadas que leva e começa logo a reclamar. Diz-se atingido por “ataques sórdidos e criminosos do gabinete do ódio de Luiz”.

O “Luiz” deve ser Luiz Inácio Lula da Silva. “Gabinete do ódio” foi o nome dado pelo PT e os seus aliados à central de fake news comandada por Carlos Bolsonaro. Ela funcionou no Palácio do Planalto à época do governo do pai de ambos.

Flávio agradece aos que o defendem “por entenderem a missão divina” que ele enfrenta de “resgatar o nosso Brasil”. Resgatar do quê? Deus não o incumbiu disso. Deus não se mete nessas coisas. Flávio tem oferecido de bandeja o Brasil aos Estados Unidos.

Circulou, e ainda circula nas redes sociais, o que Flávio chama de fake news do PT, que o acusa de pretender taxar o PIX caso seja eleito. Ele jura que não o fará, porque o sistema de pagamentos é “um legado” do seu pai. Não foi bem assim.

O Pix foi lançado pelo Banco Central em 5 de outubro de 2020, entrando em operação plena em novembro do mesmo ano. Ele foi criado por servidores técnicos e analistas do Banco Central com estudos iniciados por volta de 2016 e desenvolvidos em 2018.

Em 2016, quem governava o Brasil era Temer. Bolsonaro o sucedeu em 2019. Poderia ter mandado suspender os estudos sobre o PIX? Em tese, sim. O Banco Central tornou-se independente em fevereiro de 2021. Mas por que o faria?

Bolsonaro nunca entendeu de economia. Quem cuidava dela era o economista Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga”. Guedes foi o fiador de Bolsonaro junto a empresários e banqueiros. Bolsonaro só queria saber de política rasteira e de empregar militares.

Evoluiu mais tarde para montar uma rede policial de proteção à sua família e aos seus amigos, e para desqualificar o processo eleitoral brasileiro com vistas ao seu objetivo: se reeleger. E se não fosse possível, dar um golpe para permanecer no poder.

Flávio tenta disfarçar sua preocupação com a falta de unidade do PL em torno do seu nome e do resto da direita que hesita em apoiá-lo:

“Tenho pedido união e que divergências menores sejam deixadas de lado neste momento, em prol das causas que nos unem. Para colocarmos o Brasil, de novo, no caminho da prosperidade precisamos primeiro derrotar o império do mal.

Cheguei bem até aqui por causa de vocês, sem o apoio integral de muitos que eu, sinceramente, esperava que respeitassem a indicação do nosso líder Jair Bolsonaro nessa guerra do bem contra o mal, mas ainda estão tímidos ou tergiversando.”

E conclui:

“Não dá mais para perder tempo discutindo quem tem razão, precisamos vencer a eleição!”

Por que tamanho desespero se sua candidatura, aparentemente, está consolidada? Se as pesquisas de intenção de voto dão conta de que ele, se a eleição fosse hoje, empataria com Lula ou o venceria? Resposta: porque a eleição só será daqui a 183 dias.

O teto de Flávio é de vidro. Até lá, ele será alvo de fogo amigo, à direita, e de fogo inimigo, à esquerda. Não está preparado para isso. Nunca esteve.

 

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