A missão de Flávio Bolsonaro: manter viva a grife da família

Cópia encardida do pai assume o papel de oponente ideal para Lula. Em questão, a sobrevivência financeira e política do clã

atualizado

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Alice Rabello
Lula e Flávio Bolsonaro
1 de 1 Lula e Flávio Bolsonaro - Foto: Alice Rabello

Desta vez não será uma escolha difícil. Em 2018, o centenário jornal O Estado de S. Paulo definiu como difícil a escolha que os brasileiros haveriam de fazer no segundo turno das eleições daquele ano: votar em Jair Bolsonaro para presidente da República ou votar em Fernando Haddad, ex-prefeito da capital paulista? Bolsonaro era candidato com o apoio dos militares. Haddad, o candidato do PT e de Lula, que estava preso em Curitiba.

A não ser que o roteirista do filme chamado Brasil apronte mais uma surpresa — e ele gosta de aprontar —, tudo indica que, em outubro próximo, seremos forçados a escolher entre Flávio Bolsonaro, filho de quem é, e Lula, que há quatro anos derrotou o pai dele na eleição mais apertada desde o fim da ditatura de 1964. Flávio está em baixa desde que ofereceu o Brasil de bandeja a Trump. Lula está em alta, impulsionado, diga-se, pela decisão tomada por Trump de aplicar ao Brasil uma nova onda de tarifas alfandegárias. Para completar, Flávio amarga a descoberta de que era unha e carne com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e protagonista do maior escândalo financeiro da história do Brasil.

Feliz é o candidato que pode dar-se ao luxo de escolher seu adversário. Lula escolheu o Bolsonaro original e venceu. Lula agora, e não é de hoje, escolheu a cópia encardida de Bolsonaro e parece estar com a mão na taça. Uma ampla fatia dos brasileiros gostaria de contar com outras opções, como mostram as pesquisas. Mas as alternativas disponíveis não dão sinais de que se viabilizarão. Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos, e paramos por aqui: alguém aposta que um deles desbancará Flávio? Improvável.

Flávio não é candidato por seus próprios méritos, mas pelos de seu pai, o inventor da direita sem vergonha de se autodeclarar direita. Nunca passou pela cabeça de Flávio que um dia ele viria a ser candidato a presidente. Foi quatro vezes deputado estadual no Rio de Janeiro graças ao pai. Elegeu-se senador pegando carona na campanha presidencial do pai, assim como os seus irmãos.

De todos eles, Flávio era o mais vocacionado para fazer negócios e enriquecer. Portanto, não tem muito a perder se for derrotado por Lula. O pai deu-lhe a missão de sucedê-lo como guardião de uma parcela expressiva dos votos da direita, evitando que algum aventureiro se apossasse dela. A grife Bolsonaro não pode desaparecer; ela rende muito dinheiro à família, e dinheiro é o que importa. Isso está no DNA do clã desde o tempo das rachadinhas.

 

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