A folha corrida de um senador capaz de agredir quem cuida dele
O uso do peso do cargo é a definição mais pura de covardia política
atualizado
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O novo capítulo da biografia do senador Magno Malta (PL-ES), com a acusação de agressão a uma profissional de saúde no hospital DF Star, em Brasília, não é apenas um “incidente isolado”, mas o retrato fiel de uma trajetória marcada pelo excesso e pela controvérsia.
Para quem construiu a carreira sobre o pilar da “moral e dos bons costumes”, o senador parece ter uma dificuldade crônica em praticar a mansidão que prega nos altares para enganar os trouxas.
A denúncia é grave: um tapa no rosto e xingamentos de “imunda” contra uma técnica de enfermagem que apenas tentava realizar um procedimento médico, aplicando-lhe uma injeção. Enquanto Malta se defende falando em “falha técnica” e “guerra espiritual”, a realidade do “chão de fábrica” da saúde brasileira — onde profissionais já trabalham sob pressão extrema — ganha um contorno de crueldade quando o agressor é alguém que detém o poder de um mandato.
A folha corrida do senador não o ajuda a ter o benefício da dúvida. Olhar para o passado de Malta é mergulhar em um arquivo de episódios que desbotam qualquer aura de santidade. É impossível esquecer a história de Luiz Alves de Lima, ex-cobrador de ônibus em Vitória, que foi preso e torturado após ser acusado injustamente de pedofilia por Malta. O homem perdeu a visão, a guarda da filha e amargou nove meses de vida em um cárcere pavoroso. Restou-lhe pedir uma indenização ao Estado.
O senador também já teve seu nome envolvido no escândalo da “Máfia das Sanguessugas”, no qual foi acusado de receber propina para liberar verbas de ambulâncias — um caso que, embora não tenha terminado em condenação, colou nele o rótulo da velha política que ele diz combater.
Por atos e palavras, não raras vezes Malta se comporta como um sacripanta. No dia 21 de maio de 2023, o jogador brasileiro Vinícius Júnior foi chamado de “macaco” por torcedores do Valência, na Espanha. Dois dias depois, em discurso no Senado, Malta satirizou o ocorrido ao perguntar: “Cadê os defensores da causa animal que não defendem o macaco?”.
A agressão no DF Star, se confirmada pelas câmeras que o próprio senador agora diz querer ver, é a cereja amarga de um bolo que o Brasil já está cansado de comer. Um parlamentar que usa o peso do cargo para humilhar quem está ali para cuidar dele é a definição mais pura de covardia política.
Se houver um pingo de justiça no Senado, Magno Malta deveria responder não aos fiéis que ouvem suas pregações, mas ao Conselho de Ética por quebra de decoro. Afinal, imunidade parlamentar não é licença para distribuir tapas.


