
Repúdio tardio de Caiado a Flávio arrisca soar como mera vaidade
Cautela excessiva de governadores permitiu que fumaça ideológica dominasse a pré-campanha

No programa do Noblat, a bancada analisou o desastre tático da convenção do PL e a crescente rejeição à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que conseguiu a proeza de unificar aliados e opositores em uma onda de críticas ao evento.
A tentativa do partido de transformar a convenção nacional em um espetáculo ruidoso – combinando avatares sintéticos, montagens infantis de super-heróis com a bandeira argentina e palanque para o presidente Javier Milei – acabou funcionando como bumerangue político. Em vez de projetar maturidade e propostas de governo, o circo midiático abafou o próprio candidato e acentuou o isolamento de Flávio.
O fiasco provocou reação de lideranças da direita e do Centrão, como Gilberto Kassab e Ronaldo Caiado, e manteve legendas, como PP, Republicanos e União Brasil, em cautelosa distância.
Para o jornalista João Bosco Rabello, do canal @portaldobosco, o comportamento do clã reflete o “espírito miliciano”: um método de atuação que rejeita as regras do jogo democrático quando estas contrariam seus interesses, preferindo investir contra as leis e constranger a Justiça.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSem conseguir furar a bolha nem atrair a confiança dos partidos para a composição de vices ou palanques estaduais, a oposição recorre à fumaça ideológica para disfarçar o receio da base de que novos desdobramentos judiciais atinjam mortalmente o herdeiro do PL durante a campanha.
A escalada de radicalização atingiu o esgoto verbal com as declarações de Paulo Figueiredo, conselheiro direto de Flávio nos Estados Unidos. Em vídeo difamatório, Figueiredo cometeu crimes claros ao proferir ofensas misóginas contra jornalistas e atacar nominalmente a colunista Míriam Leitão, resgatando a retórica chula que o bolsonarismo costuma usar quando se vê acuado.
Segundo Ricardo Noblat, o episódio escancara que, na falta de projetos para o país e sufocado pela rejeição, o entorno do candidato optou pela baixaria e pela provocação barata como únicas armas para tentar segurar a militância.

