
O mercado aposta, a economia paga a conta
Da expressão “risco Lula” em 2002 à queda histórica da Bolsa em 2026, reações financeiras mostram um mercado que aposta errado

É um roteiro conhecido nos últimos 24 anos, mas não é um padrão. O PT ganha, a bolsa cai e o dólar sobe. A reeleição de Lula provocou um terremoto no mercado financeiro. Na segunda-feira, o Ibovespa desabou 13,88%, enquanto investidores estrangeiros fizeram a maior compra diária de dólares desde 2013. Foram US$ 7,4 bilhões, apostando contra o real. Hoje, porém, a bolsa avançava 0,59% no início do pregão, em movimento de correção.
Segundo economistas o tombo não se deu somente pelo medo da continuidade da política econômicas lulista, mas por uma aposta exagerada na vitória de Flávio. O mercado vendeu investimentos que tombaram com a derrota do bolsonarismo. Sobrou torcida e faltou técnica.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, atribuiu a turbulência às posições assumidas pelos investidores antes da eleição. Segundo ele, a reação refletiu ajustes financeiros, e não uma deterioração dos fundamentos econômicos.
O episódio recupera outras reações após às eleições. Em 2002, a expressão “risco Lula” dominou parte do noticiário. Em 2014, após a reeleição de Dilma Rousseff, o El País estampou que o mercado financeiro “castigava” a vitória petista. Expressões como “risco”, “temor”, “nervosismo”, “pressão” e “instabilidade” constroem uma narrativa de ameaça. As exceções seriam 2006, quando o mercado já esperava a reeleição de Lula e 2022, pois a instabilidade contínua do bolsonarismo não era aceitável para alguns setores da economia.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesIsso não significa que as preocupações fiscais sejam irrelevantes ou que toda reação negativa seja injustificada. O problema é quando as expectativas de investidores passam a representar, quase automaticamente, o diagnóstico da economia nacional.
Agora, Lula sinaliza moderação e busca recompor sua base política, enquanto enfrenta um Congresso hostil e o desafio fiscal.

