Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube

Apuração pelo Brasil

Foto de Blog do Noblat
Coluna Blog do Noblat
Blog do Noblat - 22 anos

O Brasil tem uma oportunidade (por Marcos Magalhães)

Apesar da desconfiança do mercado, existe uma estratégia de desenvolvimento do país em andamento

27/10/2026 10:10
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Imagem colorida mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Metrópoles

Existe vida depois do circuit breaker. Os donos do dinheiro apostaram em Flávio Bolsonaro. Deu Lula. A Bolsa caiu 15%, o dólar subiu 9%. Apesar do pânico, porém, o Brasil tem uma grande oportunidade pela frente.

A vitória nas urnas de Luiz Inácio Lula da Silva, que será presidente pela quarta vez, foi a principal manchete das edições eletrônicas dos principais jornais do mundo na noite de domingo.

Os meios de comunicação estrangeiros ressaltaram a grande virada do segundo turno e a intensa mobilização nas ruas nas últimas três semanas. Mas o tema principal foi o exemplo do Brasil na resistência à onda de extrema direita que agita o mundo.

O sonho de Donald Trump de povoar o continente de aliados esbarrou na vontade dos eleitores brasileiros, como indicaram principalmente jornais dos Estados Unidos e da Europa. E o presidente americano manteve silêncio.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Lula recebeu mensagens de felicitações da União Europeia, da China, da Rússia, do México e de países vizinhos, como Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. E nenhuma palavra do presidente da Argentina, Javier Milei.

Agora, Lula, aos 81 anos, tem pela frente um mandato de quatro anos que coincide com um grande processo de reconfiguração da ordem mundial. E a crise, como se costuma dizer, também oferece oportunidades.

O Brasil deu ao mundo um exemplo da força de suas instituições, apesar do ruído causado pela ampliação do horário de votação em duas horas. É uma democracia consolidada que disse não ao avanço de uma direita radical com DNA golpista.

A reeleição de Lula vai manter uma política externa pautada no multilateralismo e na busca de soluções negociadas para conflitos. Aliado aos demais sócios do Mercosul, o Brasil tem apostado em acordos comerciais com vários países.

E aqui vem outro aspecto muito lembrado no resto do mundo: o Brasil vai manter uma política de defesa do meio ambiente, que corria sério risco. E vai colaborar na busca de soluções para atenuar a grave crise climática.

Após ser reeleito, Lula mostrou estar antenado com as novas tendências globais. Disse que o país vai apostar na economia verde, na economia digital e na economia criativa. Voltou a prometer a instalação de um supercomputador de inteligência artificial no Rio Grande do Norte.

A estabilidade democrática e a defesa do meio ambiente contam muitos pontos na imagem externa do país. E o soft power nacional tende a atrair turistas e muitos investimentos.

Além disso, o Brasil tem em seu subsolo grandes reservas de minerais estratégicos e terras raras que são cobiçadas por diversos países. E agora poderá colocar em prática uma política de atrair investimentos que estimulem o beneficiamento dos minérios em território nacional.

Mas a Bolsa caiu e o dólar subiu. Os juros futuros também foram às alturas. Parte disso vem do fato que os operadores de mercado tomavam como certa a vitória de Flávio Bolsonaro. Um candidato que já escalava seu ministério e prometia um grande tesouraço nos gastos públicos.

Pois Flávio perdeu. E o que fará Lula? O presidente é visto como grande gastador, que elevou a dívida pública e poderia tornar o governo insolvente.

Lula tem agora a iniciativa. A guerra política já acabou. Ele terá tempo e tranquilidade para escalar um novo ministério, que reflita, inclusive, a ampla aliança que permitiu a sua vitória.

O presidente sabe que precisa cuidar das contas públicas. Seus próximos passos indicarão o caminho a ser seguido nos próximos quatro anos.

Mas resta claro que o país escapou de uma armadilha golpista. O candidato Flávio Bolsonaro saiu do primeiro turno anunciando apoio a uma reforma política que ampliasse o mandato presidencial para cinco ou seis anos – inclusive o dele próprio.

Apesar da desconfiança do mercado, existe uma estratégia de desenvolvimento do país em andamento. E o Brasil exibiu ao mundo a força de sua democracia.