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Cobaias da Prevent Senior eram submetidas a três “combos” experimentais

"Monstruosidade" era tanta que um só protocolo ineficaz não bastava, afirma advogada que representa 12 médicos

Manoela Alcântara24/09/2021 14:59, atualizado 24/09/2021 15:43
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Divulgação
Cobaias da Prevent Senior eram submetidas a três “combos” experimentais

O protocolo da Prevent Senior de administrar medicamentos sem eficácia contra o coronavírus não se resumia a uma única tentativa.

Segundo relato de 12 médicos representados pela advogada Bruna Morato, o paciente que não se curasse da primeira vez com o kit Covid, composto de hidroxicloroquina, ivermectina, vitaminas e prednisona, era submetido a mais dois combos, todos sem eficácia.

A maioria das “cobaias” da Prevent Senior consistia em pacientes idosos, muitas vezes bastante fragilizados pela Covid-19 e pela agressividade com que o primeiro procedimento do kit agia no organismo.

Se a cloroquina falhasse, na segunda experiência eram aplicados a flutamida, o etanercepte e o metotrexato.

O primeiro fármaco é usado para o tratamento do câncer avançado de próstata. Os outros dois, para artrite. Esse protocolo foi batizado de “tratamento com nanopartículas”. Se o paciente não morresse, a última tentativa recorria à polêmica ozonioterapia retal, ao uso de células-tronco e ao que mais pudesse ser testado.

Segundo Morato, os 12 médicos que denunciaram a prática começaram a ser orientados a valer-se de tais protocolos em 25 de março de 2020. Transformar pacientes com Covid-19 em cobaias é uma das denúncias contra a Prevent Senior, plano de saúde que fechou 2020 com faturamento líquido de R$ 4,3 bilhões e 505 mil beneficiários.

Há ainda a suspeita de ocultação de óbitos e adulteração da causa de mortes por Covid-19. A este blog a advogada que prestará depoimento à CPI da Covid-19 na próxima terça-feira (28/9) comentou sua perplexidade com o caso.

Como os médicos que a senhora representa classificam os tratamentos experimentais feitos pela Prevent Senior sem o consentimento de pacientes e das suas famílias?

Uma monstruosidade. Os remédios eram aplicados nos pacientes já frágeis, sem consentimento. Quando você vê o prontuário dos pacientes, a vontade é de chorar.

Nas redes sociais, as práticas da Prevent Senior foram comparadas a experimentos feitos por nazistas. Os médicos concordam?

Achei que, depois do Tribunal de Nuremberg [Corte internacional criada em 1945 para julgar os crimes cometidos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial], isso nunca mais aconteceria. E acabou acontecendo no Brasil, em São Paulo e na frente de todo mundo.

Por que os médicos esperaram mais de um ano para denunciar o caso?

Eles acreditavam no Instituto Prevent Senior e nas orientações dadas pelos superiores. Só desconfiaram dos protocolos quando viram que não havia eficácia. Foram pesquisar registros científicos e não havia nada a respeito. Resolveram denunciar e hoje sofrem pressões e são perseguidos pela empresa.