Bolsonaro líder, réus condenados e a confirmação do plano de golpe

A decisão o torna Bolsonaro o primeiro ex-presidente do Brasil a ser condenado por crimes contra a democracia

atualizado

Compartilhar notícia

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
STF - Dia 11/09/25 - Julgamento Bolsnaro e 7 reus - Metrópoles
1 de 1 STF - Dia 11/09/25 - Julgamento Bolsnaro e 7 reus - Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O histórico julgamento dos responsáveis pelo 8 de janeiro não se resumiu a um simples veredito de culpa ou inocência.

A votação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que terminou com a condenação de oito réus — incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro — por 4 a 1, representou um divisor de águas na política brasileira, repleta de golpes seguidos de anistias.

A maioria formada por Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin baseou seus votos em uma mesma tese: os ataques de 8 de janeiro não foram atos isolados, mas o ápice de uma trama golpista.

Em um voto de mais de cinco horas, o relator Alexandre de Moraes detalhou a estrutura da organização criminosa e a atuação de Jair Bolsonaro como seu líder.

Cármen Lúcia, por sua vez, reforçou essa visão, afirmando que a “farta prova” disponível — de minutas golpistas a áudios e vídeos — deixava clara a intenção dos crimes.

Flávio Dino acompanhou a relatoria, e o ministro Zanin foi crucial ao defender a validade do processo, rebatendo ponto a ponto as alegações da defesa sobre supostas falhas e a incompetência do STF. Sua argumentação solidificou a base jurídica para o veredito.

Em total oposição, o ministro Luiz Fux optou por um caminho completamente diferente. Em um voto que se estendeu por quase 14 horas, ele defendeu a tese de que o processo deveria ser anulado e os réus absolvidos. Fux analisou cada fato de forma isolada, desconsiderando a conexão entre eles.

Essa abordagem foi duramente criticada e ironicamente apelidada de “hermenêutica do ornitorrinco” e “falácia do boi esquartejado” por analistas. As metáforas explicam a tentativa de Fux de analisar as “partes” do processo (os acampamentos, as mensagens, a invasão) separadamente, sem ver o “todo” que configurava a tentativa de golpe.

Mas a pergunta que não quer calar: o que, afinal, fez o ministro divergente ter uma mudança tão abrupta de ideia?

Ao final do julgamento, Jair Bolsonaro foi o centro do veredito.

A maioria do STF o considerou o líder da organização criminosa que tramou a ruptura democrática, condenando-o a 27 anos e três meses de prisão por crimes como golpe de Estado e dano ao patrimônio público.

A decisão o torna o primeiro ex-presidente do Brasil a ser condenado por crimes contra a democracia, marcando um novo e decisivo capítulo na história política e jurídica do país.

Confira:

 

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comBlog do Noblat

Você quer ficar por dentro da coluna Blog do Noblat e receber notificações em tempo real?