Risco do antismo (por Cristovam Buarque)

Foi este antismo que levou forças democráticas a se recusarem a incluir Lula e o PT na composição de uma frente nacional contra Bolsonaro

atualizado

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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Lula de máscara em close
1 de 1 Lula de máscara em close - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O setor de relações internacionais do PT cometeu o erro de apoiar a invasão da Ucrânia pela Rússia. Esta posição se explica pelo antiamericanismo que caracteriza a visão do mundo dos petistas. Se a Rússia enfrentava os Estados Unidos, então ela estava certa. Este é o perigo do “antismo”: pensar contra sem levar em conta as especificidades que ocorrem em cada momento, sem considerar que o mundo não é apenas branco e preto, nem percebendo as mudanças que acontecem.

Da mesma forma que o antismo do PT leva a erros deste tipo, as forças democráticas têm errado, ao longo de meses, por verem a política Brasília sob o antipetismo. Sabem do risco da reeleição de Bolsonaro, mas se negam a barrar esta reeleição em aliança com o PT. Deixam também de perceber que o PT e Lula de hoje podem ser diferentes do que eram há alguns anos atrás.

Foi este antismo que levou forças democráticas a se recusarem a incluir Lula e o PT na composição de uma frente nacional contra Bolsonaro. A concepção da terceira via como uma alternativa “nem nem” poderá levar à vitória do Bolsonaro, em função do voto nulo inspirado pelo antipetismo.

Felizmente, o PT parece ter reconhecido o erro de seu setor internacional e mudado de posição denunciando a invasão da Ucrânia que agora só conta com o apoio de Bolsonaro. Felizmente também, PT e Lula percebem que para derrotar Bolsonaro e depois governar precisam de aliança com outras forças e outras visões do mundo. O PT começa a deixar de antismo contra tudo que não é PT. Está em tempo das forças democráticas perceberem que não foram capazes de construir uma alternativa eleitoralmente viável e que seu divisionismo, movido pelo antipetismo, pode ser a causa da tragédia de mais quatro anos do atual governo legitimado pelo apoio voto popular.

 

Cristovam Buarque foi senador, ministro e governador 

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