
Quem vai ganhar as eleições no 1º turno (por Ricardo Guedes)
Estas são as eleições do “menos pior”, para se evitar aquilo que menos se quer

Estas são as eleições mais indefinidas da história do Brasil desde a redemocratização. Em 1989, eleições definidas para Collor no curso do período eleitoral. Em 1994, eleições nitidamente definidas para Fernando Henrique. Em 1998, idem para Fernando Henrique. Em 2002, nitidamente definidas para Lula. Em 2006, idem para Lula. Em 2010, eleições previamente definidas para Dilma. Em 2014, eleições indefinidas entre Aécio e Dilma. Digo, a indefinição era a previsão, em plataforma politicamente estável. Em 2018, nitidamente definidas para Jair Bolsonaro. Em 2022, definidas para Lula por pequeno, mas sólido percentual de votos, em plataforma politicamente estável. Em 2026, indefinidas, com baixa capacidade de previsão, mesmo da indefinição, em plataforma politicamente instável. Nas eleições pregressas, haviam bases sólidas de cálculo, hoje já não há. As pesquisas indicam relativa equiparidade nas intenções de voto, Lula com média de 2% a 3% acima de Flávio Bolsonaro, quase que uniformemente, dentro da volatilidade e crises sucessivas de escândalos.
Mas sejamos persistentes, vamos analisar. Muito difícil, já que, como se diz no julgo popular, as Ciências Sociais andam “no barro”. Os níveis de identificação partidária caíram drasticamente, e parcela significativa do eleitorado hoje deixa suas decisões para a última hora. Hoje, além do voto definido, do voto tendencial, e do voto útil, surge uma quarta categoria, a do voto psicossocial, que sai do âmbito das Ciências Sociais, ao sabor das informações e casualidades.
Estas são as eleições do “menos pior”, para se evitar aquilo que menos se quer. Lula apresenta avaliação negativa de seu governo, com os preços dos supermercados acima das reposições salariais, e com a preocupação da “crise fiscal contratada” para 2027, com o desequilíbrio das contas públicas e incapacidade do Estado em pagar os seus compromissos. Flávio Bolsonaro é a incógnita política de alto risco, do voto temerário, sem qualquer experiência administrativa prévia, com perspectivas de políticas retaliativas, internacionalizando a disputa com os bens nacionais. O que fazer?
Pela Teoria dos Jogos, quando as escolhas não são boas, opta-se pela menos pior. Como estimativa, Lula apresenta 55% de chances de ganhar o 1º turno, Flávio Bolsonaro 45%.
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Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus

