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Prostitutas e putarias (por Tânia Fusco)

Zezé, o analfabeto social, não faz falta. Nem à programação natalina do SBT, nem ao Brasil democrático.

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Zezé Di Camargo vai às lágrimas durante show em Minas Gerais - Metrópoles
1 de 1 Zezé Di Camargo vai às lágrimas durante show em Minas Gerais - Metrópoles - Foto: Instagram/Reprodução

Já fomos feitas fogueiras vivas. É corriqueiro sermos chamadas de vadias, vacas, rameiras, quengas, burras, sem vergonha, limitadas, imbecis. Putas é corriqueiro.

Quando querem exibir melhor vocabulário, trocam o putas pelo prostitutas. Mais erudito. Foi o que fez o velho cantor sertanejo Zezé Di Camargo que viu como “prostituição” o exercício de comando democrático de seis gestoras – as donas do SBT. Sucessoras do pai e do marido, o inesquecível Silvio Santos.

Putaria! Deve ter dito o Zezé no recôndito do seu lar, onde vive com a atual esposa e uma das filhas – mulheres, subalternas. Gente que sabe o seu lugar de respeitar a autoridade do pai, do marido.

Perdeu o sono e injuriou-se ao ver reunidos, na festa de inauguração do canal de notícias do SBT, o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, o governador e o prefeito de São Paulo, Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes – representantes de partidos e ideologias distintas.

Em vídeo, definiu o encontro das autoridades de diferente perfil político como traição, desrespeito e “prostituição” das sucessoras de Silvio Santos. Não usaria os mesmos termos com o pai das moças.

A vida inteira, Silvio Santos, no palco ou em solenidades, conviveu socialmente com autoridades à esquerda e à direita. Juntos ou separados. Só Zezé não soube, não viu como putaria.

Silvio Santos, que amou e confiou nas filhas e na mulher, deve ter se orgulhado da reação delas. Depois da misoginia exposta no vídeo de Zezé, as donas do SBT suspenderam a exibição do programa natalino, já gravado pelo cantor. Iria ao ar nesta semana. Embora, dizem, estivesse mesmo encalhado, sem conseguir comprador para as cotas de patrocínio. Por que será?

Zezé, o analfabeto social, não faz falta. Nem à programação natalina do SBT, nem ao Brasil democrático.

Mas a agressão às mulheres Abravanel fica na história do pequeno cantor e da Televisão brasileira.

Zezé (que é Mirosmar no batismo), pai de três filhas, é só mais um dos machistas, presos à sua misoginia, que desqualificam e (até) matam mulheres.

No Brasil de 2025, pelas mãos de homens, quatro mulheres são assassinadas todos os dias. Morrem por ser mulher. Por isso mesmo “merecedoras” de ofensas, desrespeitos, esganaduras, surras, fogueiras, facadas, tiros, bomba e paulada.

Hoje, arrastar, atropelar e esmagar são novas modalidades no extermínio de mulheres que, de tanto praticado, tem figura jurídica e nome: feminicídio. O que define crimes da fúria dos meio-homens contra as mulheres. São os anacrônicos, que não respeitam, não sentem, não veem e não aceitam as mulheres como igual. Confrontados, enfrentados, repelidos ou rejeitados, matam.

Isso não para. Só cresce.

Morremos pelas mãos de homens assassinos. Muitos deles que, um dia, amamos. Morremos porque homens e mulheres ainda não aprendemos a repelir e condenar homens, como Mirosmar e suas putarias. Um dia xingam, desqualificam. No outro, batem. Depois, matam.

 

Tânia Fusco é jornalista

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